Mas então, aos 47 anos, a gente se mete a dar uma faxina na casa e quase cai morta antes de terminar de lavar o banheiro. E pensa que, aos 24, limpava o apartamento inteiro sem sentir cansaço nenhum: depois de tudo ainda encarava uma noite de dança e amor atééééé... o sol raiar! Se mete a fazer faculdade e quase cai morta também quando acaba a semana de provas... e é assim todo santo semestre, ai que cansaço, essas provas me matam, cruzes!
Pois é. Já contei pra vocês que minha amiga octagenária costumava dizer:
-- Fernanda, envelhecer é uma merda.
E eu ia dizer o quê? Só escutava.
Ainda não cheguei aos 80, mas já começo a entender. Envelhecer é o seguinte: a gente quer continuar levando a vida como sempre, no bem-bom da juventude... naquela correria de mil coisas, mil planos, um milhão de motivos pra continuar vivo... mas um dia a gente descobre que a vida é finita e que não dá pra fazer tudo. E por dois motivos simples: o primeiro é que o tempo é curto, e o segundo é que o corpo não aguenta.
É, fio... o corpo impõe limites. Quisera eu aguentar namorar a noite inteira! Não aguento. Se não aguento namorar, que dirá estudar?! Menos ainda!
A força dos 20 anos acaba logo ali depois dos 30, embora a gente, passados os 40, finja que tudo continua bem no Reino da Dinamarca... mas a verdade é que o peso dos anos já cobra sua fatura desde longe, e insistir na ideia de que o corpo é uma máquina que a tudo suporta, pode ser fatal. O corpo não é uma máquina, muito menos a cabeça.
Olha, quer saber? Envelhecer pode ser péssimo, mas pode também ser muito bom e gratificante; tudo depende de como passamos pelo processo.
Cada dia precisa ter o seu valor; a existência deve ter um propósito; a vida não pode ser um desperdício.
A alegria de viver não está contida apenas no "bem-bom da juventude", mas também na sabedoria que a gente vai adquirindo com o tempo... a sabedoria para evitar as roubadas que aparecem pelo caminho, para "viajar" em estado de plena caretice; e para entender que sim, o tempo passa, e por isso mesmo a gente tem que curtir a vida adoidado, antes que tudo se acabe, tão rapidamente como começou... porque a vida é breve, meu bem. Tão breve quanto pode ser a alegria da juventude.
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| Eternamente jovens! |


