Já fazia um tempinho que eu não encontrava este meu amigo,
que, como se vê, prima por algo que ainda não sei se é sinceridade ou falta de
noção. Meu garfo parou no ar, com o pedaço de joelho de porco preso nele. Olhei
a salada de batatas no prato e suspirei:
-- Eu?! Grávida?!Não fosse ele médico, eu teria dormido sem esta:
-- Ah, então tá tomando cortisona?
Quase tive um treco, e meu apetite foi pro brejo.
É engraçado como algumas pessoas simplesmente não pensam
antes de abrir a boca. Eu mesma já passei por uma situação parecida, quando
voltei à aulas depois de mais de dois meses de
férias e encontrei uma colega de sala:
-- Fulaaaaana! E este bebê que não nasce? Nunca vi um
barrigão igual a este, menina!
-- Já nasceu e está
com quase três meses.
Pior foi a minha irmã, que depois de meter o cacete num
chato com quem estudava, ouviu da colega que a escutava atentamente:
-- Ele é meu namorado.
Ela tremeu nas bases e tentou ganhar tempo pra pensar:
-- É mesmo?
E se defendeu como pôde, apelando para a sinceridade:-- Meus pêsames.
A sinceridade, aliás, foi a tática que usei quando uma conhecida pediu minha
crítica a respeito de seu trabalho na televisão.
-- Está legal, mas se eu fosse você demitiria a figurinista.
-- Por quê?
-- É que seu figurino está ruim, as roupas te envelhecem.
Você precisa de coisas mais modernas.
E ela, gelada:
-- As roupas saíram do meu armário.
Por estas e outras é que eu, que não estou grávida e nem
tomando cortisona, começo a achar que opinião deveria ser igual a artigo em
falta no mercado: o cliente pede e a gente diz que não tem. E, mesmo que tenha,
guarda pra consumo próprio. Por falar em consumo, já que me chamaram de
gorda... vou ali bater um bolo pro
jantar.
Gorda, eu?!








































