Eu já sabia da indústria do concurso público, mas agora conheci o “admirável mundo novo” dos cursos e das certificações.
Explico: aos 40 e poucos, resolvi turbinar minha carreira, mudar de profissão e, acima de tudo, reciclar minhas competências e meu currículo. Já gastei uma nota preta e acabei incluindo em meu vocabulário palavras como estas... “reciclar”, “competências” e “corporativo”... mas fico me perguntando até onde meu investimento em cursos, formações e workshops estarão mesmo valendo a pena.
Sou uma aluna chata... popular entre os colegas, mas odiada pelos professores, e a razão é simples: gosto de aprender, principalmente quando a escola cobra caro pelo que promete ensinar.
Lamentavelmente, não é sempre que as instituições entregam o que vendem, e embora a maioria dos colegas não se queixe (muito pelo contrário), com freqüência tenho me sentido ludibriada pelos setores de marketing e de vendas das ditas “sociedades”, “institutos”, “fundações” e etc, que vendem formação mas entregam sonhos, como tão bem avaliou minha amiga Carla, grande conhecedora deste universo e minha colega de “classe”.
E já que os profissionais estão tão ávidos por certificados, e ficam de queixo caído diante de técnicas simplérrimas da psicologia, muitas vezes aplicadas sem nenhum cuidado... já que um mero teste de personalidade pode ser visto quase como mágica por pessoas que pouco sabem de si mesmas... já que o talento para a oratória pode mesmo fazer milagres e incendiar a auto-estima e a força de vontade das platéias... estou começando a achar que o negócio é entrar nesse mercado como concorrente, e não como aprendiz: ando pensando em criar o INSTITUTO DANNEMANN DE CONHECIMENTO SINÉRGICO E AVANÇO INTERPESSOAL!
O que significa este nome? Não tenho a menor idéia, mas isso não importa nadíssima: se já aprendi alguma coisa nos meus cursos, é que o nome do produto deve ser imponente, de modo a impressionar a clientela e convencer a respeito de seu próprio valor.
Já imagino a propaganda: Entre para o mundo da sinergia total! Seja um Super Champion e lidere vencedores!
Ou: O mundo pertence aos sinérgicos! Seja um multiplicador da metodologia campeã dos líderes mais bem-pagos dos países ricos!
E que tal os cursos? Módulo 1 e 2 do “Planejamento Executivo e Qualitativo da Esfera Global”... ou “Treinamento Subsequencial em Sinergia Mobilizadora”... e o que dizer do intensivo, em julho do ano que vem, mas já à venda, que será o “Ultra Sinergic Power para Formadores de Equipes Vendedoras”? E o que dizer do MBA Sinérgico-Executivo?
Hein? Será que levo jeito para subir num palanque e encarnar o Tim Tones, aquele impagável personagem do Chico Anysio na TV, e ficar rica no mundo maravilhoso dos “especialistas mais bem-sucedidos do mercado”? Mas a grande questão é: será que tenho cara-de-pau para tanto?
Enquanto decido, vou correndo patentear minhas idéias, antes que algum “consultor” passe por aqui e pegue carona na minha indignação...
Inscreva-se agora e já receba o material didático!!!!!!!
sexta-feira, 29 de julho de 2011
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Aproveite o tempo que te resta
Meu amigo Gonza perdeu o filho neste fim de semana, depois de vê-lo lutar contra o câncer durante quase um ano.
O rapaz tinha pouco mais de 22 anos.
Uma história tão triste quanto esta me faz pensar na sorte imensa que tenho de ainda estar aqui neste mundo, viva, com saúde e com tantas coisas maravilhosas, como um amor, uma casa, alguns amigos de verdade e a esperança de poder desfrutar disso por muitos anos, de poder seguir descobrindo as maravilhas da vida.
Mas quantas vezes me deixo levar pela estupidez e sou dominada pela irritação, pela raiva, pelo desânimo! Quanto tempo já joguei fora discutindo com as pessoas que mais amo e me afastando delas! Quantas oportunidades de ser feliz tirei de mim mesma! E por quê?
Por me afastar da consciência de que o tempo passa, de que tudo passa, e que a hora de ser feliz e aproveitar as dádivas da vida... é agora.
Posso chegar aos 90 anos; posso morrer em um segundo.
O que estou fazendo com a minha vida? Com o meu tempo? Com todas as oportunidades que a cada dia me vêm, inclusive de tentar ser uma pessoa melhor?
Temos a tendência a desprezar as dádivas mais valiosas: o poder de ver, de sentir cheiros, provar sabores, caminhar, falar, ouvir... como se tais capacidades fossem uma obrigação do nosso corpo. Não são.
É um erro crer que podemos viver adiando um elogio, uma declaração de amor, um pedido de desculpas, um beijo, um encontro, um perdão, um desejo, uma gentileza, uma ajuda, uma viagem de férias, uma visita a alguém...
A estrada à nossa frente nos leva onde nosso coração determina; a paisagem é um reflexo do que trazemos dentro de nós. Podemos seguir mirando o horizonte ou de olhos postos no chão, o que seria um total desperdício.
Conheço pessoas que estão passando pela vida valorizando, acima de tudo, o trabalho ou as aplicações financeiras. Outras que só vêem seus ressentimentos, e vivem uma vida de rancor ou de pena de si mesmas. Há também os que têm olhos somente para as próprias necessidades; e aqueles que acreditam que a vida seja só o prazer da juventude. E muitos que vivem toda uma existência alimentando medos e paranóias. Esquecem-se, todos eles, da passagem voraz do tempo.
Aproveitemos ao máximo a estrada à nossa frente, para que não sejamos surpreendidos, de repente, pelo aviso de que a viagem chegou ao fim.
O rapaz tinha pouco mais de 22 anos.
Uma história tão triste quanto esta me faz pensar na sorte imensa que tenho de ainda estar aqui neste mundo, viva, com saúde e com tantas coisas maravilhosas, como um amor, uma casa, alguns amigos de verdade e a esperança de poder desfrutar disso por muitos anos, de poder seguir descobrindo as maravilhas da vida.
Mas quantas vezes me deixo levar pela estupidez e sou dominada pela irritação, pela raiva, pelo desânimo! Quanto tempo já joguei fora discutindo com as pessoas que mais amo e me afastando delas! Quantas oportunidades de ser feliz tirei de mim mesma! E por quê?
Por me afastar da consciência de que o tempo passa, de que tudo passa, e que a hora de ser feliz e aproveitar as dádivas da vida... é agora.
Posso chegar aos 90 anos; posso morrer em um segundo.
O que estou fazendo com a minha vida? Com o meu tempo? Com todas as oportunidades que a cada dia me vêm, inclusive de tentar ser uma pessoa melhor?
Temos a tendência a desprezar as dádivas mais valiosas: o poder de ver, de sentir cheiros, provar sabores, caminhar, falar, ouvir... como se tais capacidades fossem uma obrigação do nosso corpo. Não são.
É um erro crer que podemos viver adiando um elogio, uma declaração de amor, um pedido de desculpas, um beijo, um encontro, um perdão, um desejo, uma gentileza, uma ajuda, uma viagem de férias, uma visita a alguém...
A estrada à nossa frente nos leva onde nosso coração determina; a paisagem é um reflexo do que trazemos dentro de nós. Podemos seguir mirando o horizonte ou de olhos postos no chão, o que seria um total desperdício.
Conheço pessoas que estão passando pela vida valorizando, acima de tudo, o trabalho ou as aplicações financeiras. Outras que só vêem seus ressentimentos, e vivem uma vida de rancor ou de pena de si mesmas. Há também os que têm olhos somente para as próprias necessidades; e aqueles que acreditam que a vida seja só o prazer da juventude. E muitos que vivem toda uma existência alimentando medos e paranóias. Esquecem-se, todos eles, da passagem voraz do tempo.
Aproveitemos ao máximo a estrada à nossa frente, para que não sejamos surpreendidos, de repente, pelo aviso de que a viagem chegou ao fim.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Nunca fui super em nada
Minha mais antiga lembrança de ter tentado bancar “a tal”, data de quando eu tinha exatos cinco anos: fui à piscina da cidadezinha do interior de Minas estrear o biquíni novo e o roupãozinho cor-de-rosa de plush (nome chique para tecido atoalhado) que havia ganho de aniversário.
Munida de chapéu preto de bolinhas brancas e tamanquinhos, resolvi desfilar minha superioridade na borda da piscina, diante das coleguinhas que nadavam, inspirada nos filmes de Esther Williams, que via na “Sessão da Tarde”...
E eis que caí dentro d´água, tendo que ser socorrida às pressas e, depois, tiritar (sou friorenta) enrolada numa toalha de banho vulgar.
Anos depois, aos 12, ganhei, de um parente distante, uma fantasia de Mulher Maravilha, e me senti ridícula naquele carnaval, vestida de tudo o que eu não era.
Conto isso para dizer que nunca fui super em nada, nem mesmo quando tentei.
Mas já fui uma pessoa triste, daquelas que tentam se ajustar aos mitos que a gente admira sem nem saber direito por quê... e que se esforçam para se adequar ao que pensa a maioria... e para usar as roupas que todo mundo usa... e para ser como todo mundo é.
Não deu certo... e justamente porque nunca fui super em nada.
Então decidi ser mortal em paz, como o fez Fernando Pessoa, porque pose nenhuma deste mundo vale a liberdade de poder ser ridículo em paz, e com a consciência leve de quem é feliz porque admite que é, simplesmente, humano.
Divido com vocês as maravilhosas palavras de um ser humano de carne e osso:
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possiblidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão princípe - todos eles princípes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Quem contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó princípes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?
Então só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Todo mundo é pé na cova
Meu
pai tem uma veia que, se estourar, babau.
ele
possa ser operado, tentei reconfortá-lo.
--
Paciência é tudo o que não tive nesta vida – respondeu, tristíssimo.
Tremi
nas bases ao pensar na crueza da situação: se a veia estourar... lá se
vão
79 anos. Mas
então penso na minha amiga Carla, cujo filho de 12 saiu para uma
festinha
e não voltou, justamente por causa de uma veia que se rompeu.
Doze
anos, quem imaginaria? E a Carla conseguiu sobreviver para, depois,
voltar
a viver: hoje é feliz de novo, e tem tanta força interior que consegue
levar
conforto emocional a pacientes terminais que sofrem num hospital
público.
O
que normalmente a gente não assimila é que, “para morrer, basta
estar
vivo”. Deveríamos aprender com este ditado popular e aplicar seu
contrário:
para viver, basta estar vivo...
Você
já percebeu que nem sempre a morte está realmente perto de quem
parece
estar? Ou longe de quem parece estar? Quantas mães cardiopatas
tiveram
que, repentinamente, enterrar filhos jovens e saudáveis, e
continuaram
vivinhas da silva durante anos, sustentando a moral e a união
da
família inteira? Histórias assim são muito, muito comuns!
A
ilusão da juventude cria nas pessoas a sensação de imortalidade ou, na
mais
real das hipóteses, de que o fim está muito longe. E o triste disso é
que,
contando com o imenso tempo que temos pela frente, adiamos o que
realmente
importa: nos detemos nos problemas e nas insatisfações, em vez
de
curtir as muitas coisas boas que temos ao nosso alcance.
Meu
amigo Roberto se sente velho aos 63 anos. Talvez não tenha visto, no
espelho,
o quanto seus olhos são jovens. Talvez não tenha entendido que
sua
sede de conhecimento e de vida é o maior sinal que sua juventude lhe
dá.
E vejo que outros amigos, na casa dos 30, o consideram um “senhor”.
Meu
irmão, por volta dos 48, acha um absurdo meu pai ter saído para o
baile,
ter dançado até altas madrugadas. Mais absurdo ainda, que ele tenha
namorada,
que seja amigo da ex-mulher, que se recuse a parar de trabalhar,
que
sonhe com viagens, com negócios mirabolantes... que ainda receba
convites
para trabalhar.
--
Por isso é que ficou doente! Ele lá tem idade pra isso?!
Histórias
como estas me fazem ver que somos todos pé na cova; a morte
está
aí para todos os vivos! E ainda me ensinam que podemos errar
tremendamente
em nosso julgamento sobre quem é jovem e quem já
envelheceu
há muito tempo... mesmo que o espelho não nos diga isso lá
muito
bem...
Lembre-se: para viver, basta estar vivo!
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Todo cuidado é pouco com as verdades absolutas
Quem foi que disse que quando chove o dia está feio?
Que pra vida ser linda, a gente tem que estar feliz?
Que pra se divertir, é preciso ter dinheiro?
Que a gente trabalha pra ficar rico?
Mas quem foi que te ensinou que, se não casar, você ficou pra titia?
Que se namorar muito, vai ficar com má fama?
E que se não tiver filhos, sua vida será vazia?
Quem foi que decretou que, pra te fazer feliz, sua cara-metade tem que corresponder às suas idealizações?
Que mudar de idéia é falta de opinião?
Que é chato ir ao cinema sozinho?
Onde é que está escrito que o casamento, pra dar certo, tem que durar a vida inteira?
E que seu ex-marido não pode ser seu melhor amigo?
E que o seu filho tem que ser como você sonhou?
Qual é a lei que reza que a gente tem que ler aquele livro chato até o fim?
E que passar a noite de sexta em casa é perder tempo?
Ou que temos, por obrigação, que aceitar o que nos violenta? Ou sorrir para quem nos desrespeita?
Onde foi que você leu que é fácil fazer a vida valer a pena? E que, se não está feliz, tem que se conformar e fingir?
E que questionar o que aprendeu é perda de tempo ou de energia?
Quem decidiu que, pra ser bonita, a manhã tem que ter céu azul?
Da próxima vez que amanhecer nublado, olhe bem a paisagem do seu dia. Pode ser o começo de uma revolução.
A beleza está nos olhos de quem vê!
Que pra vida ser linda, a gente tem que estar feliz?
Que pra se divertir, é preciso ter dinheiro?
Que a gente trabalha pra ficar rico?
Mas quem foi que te ensinou que, se não casar, você ficou pra titia?
Que se namorar muito, vai ficar com má fama?
E que se não tiver filhos, sua vida será vazia?
Quem foi que decretou que, pra te fazer feliz, sua cara-metade tem que corresponder às suas idealizações?
Que mudar de idéia é falta de opinião?
Que é chato ir ao cinema sozinho?
Onde é que está escrito que o casamento, pra dar certo, tem que durar a vida inteira?
E que seu ex-marido não pode ser seu melhor amigo?
E que o seu filho tem que ser como você sonhou?
Qual é a lei que reza que a gente tem que ler aquele livro chato até o fim?
E que passar a noite de sexta em casa é perder tempo?
Ou que temos, por obrigação, que aceitar o que nos violenta? Ou sorrir para quem nos desrespeita?
Onde foi que você leu que é fácil fazer a vida valer a pena? E que, se não está feliz, tem que se conformar e fingir?
E que questionar o que aprendeu é perda de tempo ou de energia?
Quem decidiu que, pra ser bonita, a manhã tem que ter céu azul?
Da próxima vez que amanhecer nublado, olhe bem a paisagem do seu dia. Pode ser o começo de uma revolução.
A beleza está nos olhos de quem vê!
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Quanto vale a sua vida?
Tenho uma amiga, médica conceituada, que está muito bem de vida: cobra
R$ 300 por consulta e o que mais faz é trabalhar: de segunda a sexta, pega
no batente das 7h às 22h. Aos sábados, como ninguém é de ferro, a jornada
é reduzida à metade. Não tira férias, só pensa em trabalho e em garantir um
futuro “confortável” para si e para seus dois filhos.
Semana passada, me atendeu cantarolando o clássico “La vie en Rose”.
-- Já foi a Paris, Eneide? – perguntei.
-- Cheguei de lá ontem – respondeu, satisfeita.
-- Férias com a família?
-- Não, fui fazer um curso.
-- Levou o marido e esticou uns dias?
-- Imagina! A cidade é caríssima: um jantar, 60 euros! Se tomar uma coca-
cola, lá se vão mais oito! Passei seis dias no curso e tratei de vir embora
antes que tivesse um prejuízo daqueles...
Ao final da consulta, a vi olhando a paisagem pela janela, e pensei em
perguntar-lhe se não custa caro passar a vida ali, nos limites daquela
salinha, enquanto sua juventude se desgasta e seu dinheiro rende juros nas
aplicações. Mas ela ainda não acordou para a realidade de que a vida corre
e tudo muda de um momento para o outro, inclusive nós mesmos.
Há pouco tempo, ouvi de uma outra amiga, work-a-holic inveterada e
também muito bem-sucedida, que ela descansa quando vai para o hospital.
Durante 28 anos jamais tirou um mês de férias. Ano passado, doentíssima
no CTI mais bem equipado da cidade, olhava o teto pensando o que é que
tinha feito da sua vida.
Ganhou uma nova chance, por fim, tomara que faça bom uso dela... é
comum que, diante da possibilidade de morrer, as pessoas repensem sua
trajetória e decidam não jogar mais a vida fora. O que não quer dizer que
cumpram, de fato, com sua decisão, porque mudar os valores nem sempre é
tarefa fácil.
Mas já é um desperdício enorme esperar a morte iminente para aprender
a valorizar a vida! Ou fazer da juventude uma senzala, para que a velhice
seja abençoada... e quem foi que disse que você vai chegar até lá?
Eu mesma pensei ter muito tempo pela frente para levar minha irmã a
Machu Picchu, um sonho nosso. Infelizmente o tempo dela se acabou antes
que eu comprasse as passagens, e o que para mim era um plano várias
vezes adiado, virou uma frustração definitiva.
Enquanto as responsabilidades deste mundo nos gritam a todo instante,
e nos deixamos tragar pelos compromissos inadiáveis, o tempo segue.
Enquanto nossas necessidades de segurança e projetos financeiros nos
dominam, a vida vai passando, irredutível. A quem diz que “desta vida não
se leva nada”, respondo que sim, levamos a vida que vivemos: o que fica
para trás é justamente o dinheiro, que para os mortos, aliás, não tem mesmo
valor nenhum.
O mundo é lindo demais para não ser apreciado!
R$ 300 por consulta e o que mais faz é trabalhar: de segunda a sexta, pega
no batente das 7h às 22h. Aos sábados, como ninguém é de ferro, a jornada
é reduzida à metade. Não tira férias, só pensa em trabalho e em garantir um
futuro “confortável” para si e para seus dois filhos.
Semana passada, me atendeu cantarolando o clássico “La vie en Rose”.
-- Já foi a Paris, Eneide? – perguntei.
-- Cheguei de lá ontem – respondeu, satisfeita.
-- Férias com a família?
-- Não, fui fazer um curso.
-- Levou o marido e esticou uns dias?
-- Imagina! A cidade é caríssima: um jantar, 60 euros! Se tomar uma coca-
cola, lá se vão mais oito! Passei seis dias no curso e tratei de vir embora
antes que tivesse um prejuízo daqueles...
Ao final da consulta, a vi olhando a paisagem pela janela, e pensei em
perguntar-lhe se não custa caro passar a vida ali, nos limites daquela
salinha, enquanto sua juventude se desgasta e seu dinheiro rende juros nas
aplicações. Mas ela ainda não acordou para a realidade de que a vida corre
e tudo muda de um momento para o outro, inclusive nós mesmos.
Há pouco tempo, ouvi de uma outra amiga, work-a-holic inveterada e
também muito bem-sucedida, que ela descansa quando vai para o hospital.
Durante 28 anos jamais tirou um mês de férias. Ano passado, doentíssima
no CTI mais bem equipado da cidade, olhava o teto pensando o que é que
tinha feito da sua vida.
Ganhou uma nova chance, por fim, tomara que faça bom uso dela... é
comum que, diante da possibilidade de morrer, as pessoas repensem sua
trajetória e decidam não jogar mais a vida fora. O que não quer dizer que
cumpram, de fato, com sua decisão, porque mudar os valores nem sempre é
tarefa fácil.
Mas já é um desperdício enorme esperar a morte iminente para aprender
a valorizar a vida! Ou fazer da juventude uma senzala, para que a velhice
seja abençoada... e quem foi que disse que você vai chegar até lá?
Eu mesma pensei ter muito tempo pela frente para levar minha irmã a
Machu Picchu, um sonho nosso. Infelizmente o tempo dela se acabou antes
que eu comprasse as passagens, e o que para mim era um plano várias
vezes adiado, virou uma frustração definitiva.
Enquanto as responsabilidades deste mundo nos gritam a todo instante,
e nos deixamos tragar pelos compromissos inadiáveis, o tempo segue.
Enquanto nossas necessidades de segurança e projetos financeiros nos
dominam, a vida vai passando, irredutível. A quem diz que “desta vida não
se leva nada”, respondo que sim, levamos a vida que vivemos: o que fica
para trás é justamente o dinheiro, que para os mortos, aliás, não tem mesmo
valor nenhum.
O mundo é lindo demais para não ser apreciado!
segunda-feira, 4 de julho de 2011
O vício pode ser uma escada para a luz
Qual o seu vício?
Antes de dizer que não fuma, não bebe ou não usa drogas, graças a Deus, atente para o fato de que é praticamente impossível uma vida sem vícios... ao menos para gente, digamos assim, como a gente: feita de carne, osso e muitas fraquezas.
Os vícios estão por toda parte, são uma praga. Tenho um amigo, por exemplo, cristão fervorosíssimo, que é viciado na palavra “inferno”. Em cinco minutos de conversa, ele manda meia-dúzia de “infernos” no ouvido do interlocutor. Dia desses, incomodada com o lance, perguntei se ele se dava conta da situação.
-- Eu?! Imagina se vou ficar falando uma palavra baixo-astral dessas!
Mas o vício é assim mesmo: a gente nem percebe sua existência, e é por isso que ele, ao contrário de tudo na natureza, nasce, cresce, se reproduz e não morre.
Curar-se de um mau-hábito exige muita força de vontade e vigilância ferrenha, talvez porque o ser humano tenha realmente uma natural tendência para o erro. Imagino que, para ser compensado, tenha recebido o dom da consciência... e é aí que está toda a diferença: se é que temos um leme para levar a vida, ele é justamente a consciência. Afinal, como buscar o autoconhecimento e a autocorreção se não for através dela?
Somente a partir do seu olhar sem paixão sobre si mesmo é que você poderá enxergar onde tropeça. Quer ver só?
É praticamente impossível passarmos um diazinho, entre os sete da semana, fazendo um bom jejum de vícios, porque está por aí, por toda parte, uma variada oferta deles, e para qualquer situação: as mentirinhas “sem importância”... a fofoquinha “boba”... a crítica destrutiva... a reclamação... os palavrões, tão banalizados... a gula... o consumismo... a agressividade... e vou parando por aqui para economizar tempo e espaço.
Perdidos entre nossos gestos automáticos do cotidiano, estes comportamentos venenosos fazem tanto mal à vida quanto a nicotina e o álcool, porque também destroem amizades, amores, esperanças e oportunidades, além de semearem a discórdia, a tristeza e a solidão.
Pense bem antes de dizer, de agora em diante, que não tem vício nenhum. Eles estão colados ao comportamento humano, invisíveis e silenciosos... mas podem ser vencidos só com um pouquinho de esforço e atenção. Chego a pensar que foram criados, inclusive, para isso mesmo: um exercício a mais para os homens de boa-vontade.
Antes de dizer que não fuma, não bebe ou não usa drogas, graças a Deus, atente para o fato de que é praticamente impossível uma vida sem vícios... ao menos para gente, digamos assim, como a gente: feita de carne, osso e muitas fraquezas.
Os vícios estão por toda parte, são uma praga. Tenho um amigo, por exemplo, cristão fervorosíssimo, que é viciado na palavra “inferno”. Em cinco minutos de conversa, ele manda meia-dúzia de “infernos” no ouvido do interlocutor. Dia desses, incomodada com o lance, perguntei se ele se dava conta da situação.
-- Eu?! Imagina se vou ficar falando uma palavra baixo-astral dessas!
Mas o vício é assim mesmo: a gente nem percebe sua existência, e é por isso que ele, ao contrário de tudo na natureza, nasce, cresce, se reproduz e não morre.
Curar-se de um mau-hábito exige muita força de vontade e vigilância ferrenha, talvez porque o ser humano tenha realmente uma natural tendência para o erro. Imagino que, para ser compensado, tenha recebido o dom da consciência... e é aí que está toda a diferença: se é que temos um leme para levar a vida, ele é justamente a consciência. Afinal, como buscar o autoconhecimento e a autocorreção se não for através dela?
Somente a partir do seu olhar sem paixão sobre si mesmo é que você poderá enxergar onde tropeça. Quer ver só?
É praticamente impossível passarmos um diazinho, entre os sete da semana, fazendo um bom jejum de vícios, porque está por aí, por toda parte, uma variada oferta deles, e para qualquer situação: as mentirinhas “sem importância”... a fofoquinha “boba”... a crítica destrutiva... a reclamação... os palavrões, tão banalizados... a gula... o consumismo... a agressividade... e vou parando por aqui para economizar tempo e espaço.
Perdidos entre nossos gestos automáticos do cotidiano, estes comportamentos venenosos fazem tanto mal à vida quanto a nicotina e o álcool, porque também destroem amizades, amores, esperanças e oportunidades, além de semearem a discórdia, a tristeza e a solidão.
Pense bem antes de dizer, de agora em diante, que não tem vício nenhum. Eles estão colados ao comportamento humano, invisíveis e silenciosos... mas podem ser vencidos só com um pouquinho de esforço e atenção. Chego a pensar que foram criados, inclusive, para isso mesmo: um exercício a mais para os homens de boa-vontade.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Aqueles homens adoráveis e seus carros velhos
Não fui uma adolescente das mais espertas em se tratando de rapazes, mas sempre que me interessava por um, invariavelmente ele não tinha carro. Nas poucas vezes em que aconteceu de ter, era um carrinho velho que eu achava um charme: houve um fusquinha, um Baja __alguém se lembra?__ e até um Maverick cujo tapete estampado de verde havia sido surrupiado do banheiro da “sogra” da vez.
O demais namorados andavam de ônibus e isso para mim nunca foi um problema. Se a festa era muito longe, o jeito era pegar um táxi, caso contrário, íamos mesmo de “buzão”. Minhas amigas debochavam dos “duros” que eu namorava, enquanto que, o que eu gostava mais, era da segurança que eles tinham em si mesmos: não precisavam de um carro para me impressionar.
Já por volta dos 30 anos, me desinteressei de um homem no momento em que ele me disse, enquanto pilotava seu Land Rover novinho em folha, que não tinha dinheiro para dar de entrada num apartamentinho. Cruzes! Vi todo o meu interesse por ele ser atropelado pelo carrão em plena noite enluarada de verão, de frente para o mar de Ipanema... e o romance que poderia ter nascido morreu ali mesmo.
Por outro lado, certa vez fui instantaneamente flechada pela paixão quando um paquera, depois de me oferecer uma carona, deu de ombros __em vez de dar um ataque__ ao perceber que seu carro havia sido roubado.
-- Estava aqui e sumiu – disse, com ar de quem não iria estragar a noite por causa daquilo. Logo depois encontramos o "possante", que estava estacionado em outra vaga, mas a boa impressão já estava na minha cabeça. O relacionamento durou anos!
Já ouvi aqueles papos de que, para o homem, um carro pode ter muitos significados, inclusive a respeito de sua virilidade. Por isso mesmo, considero realmente interessante aquele que não precisa de um carro para se garantir: ele é mais ele, e ponto final.
Daí fico pensando sobre homens que fiam seu poder de atração nos carrões 4X4: não são todos os que fazem isso, imagino, mas que alguns fazem... ah, fazem sim. Dia desses, um deles me xingou no trânsito depois que, de leve, encostei __de novo: encostei__ em seu para-choque com o nariz do meu Fiatzinho. Ele parou o trânsito, desmontou do carro, olhou bem o para-choque e carinhosamente o alisou, quase como se fosse uma moça... e depois me xingou. Como deve sofrer com aquele carro... quanta preocupação, quanto medo de um prejuízo, de um risquinho, um amassadinho... gastou os tubos na compra e no seguro, e em vez de ser feliz, sofre.
Numa outra vez em que me aventurei a sair para jantar com um proprietário de carrão, percebi que sua grande preocupação era não estragar o dito cujo. Quando tirei as sandálias de salto, para descansar os pés, ele imediatamente perguntou se eu pretendia pisar no banco. Naquele instante minha intuição acendeu sua luz vermelha, e a historinha acabou ali.
Mas hoje em dia, quando vejo os carrões zunindo pelas avenidas da cidade, muitas das vezes ultrapassando pela direita, fechando os outros motoristas, acendendo o farol alto nos olhos dos que estão à frente e outros "que tais" típicos de quem se considera "o dono da rua", me pergunto se à namorada aquele motorista dá o mesmo nível de importância. Será que sua vaidade permite que ele seja tão detalhista e cuidadoso no amor quanto é com seu possante?
Olha um dos meus namorados aí!
O demais namorados andavam de ônibus e isso para mim nunca foi um problema. Se a festa era muito longe, o jeito era pegar um táxi, caso contrário, íamos mesmo de “buzão”. Minhas amigas debochavam dos “duros” que eu namorava, enquanto que, o que eu gostava mais, era da segurança que eles tinham em si mesmos: não precisavam de um carro para me impressionar.
Já por volta dos 30 anos, me desinteressei de um homem no momento em que ele me disse, enquanto pilotava seu Land Rover novinho em folha, que não tinha dinheiro para dar de entrada num apartamentinho. Cruzes! Vi todo o meu interesse por ele ser atropelado pelo carrão em plena noite enluarada de verão, de frente para o mar de Ipanema... e o romance que poderia ter nascido morreu ali mesmo.
Por outro lado, certa vez fui instantaneamente flechada pela paixão quando um paquera, depois de me oferecer uma carona, deu de ombros __em vez de dar um ataque__ ao perceber que seu carro havia sido roubado.
-- Estava aqui e sumiu – disse, com ar de quem não iria estragar a noite por causa daquilo. Logo depois encontramos o "possante", que estava estacionado em outra vaga, mas a boa impressão já estava na minha cabeça. O relacionamento durou anos!
Já ouvi aqueles papos de que, para o homem, um carro pode ter muitos significados, inclusive a respeito de sua virilidade. Por isso mesmo, considero realmente interessante aquele que não precisa de um carro para se garantir: ele é mais ele, e ponto final.
Daí fico pensando sobre homens que fiam seu poder de atração nos carrões 4X4: não são todos os que fazem isso, imagino, mas que alguns fazem... ah, fazem sim. Dia desses, um deles me xingou no trânsito depois que, de leve, encostei __de novo: encostei__ em seu para-choque com o nariz do meu Fiatzinho. Ele parou o trânsito, desmontou do carro, olhou bem o para-choque e carinhosamente o alisou, quase como se fosse uma moça... e depois me xingou. Como deve sofrer com aquele carro... quanta preocupação, quanto medo de um prejuízo, de um risquinho, um amassadinho... gastou os tubos na compra e no seguro, e em vez de ser feliz, sofre.
Numa outra vez em que me aventurei a sair para jantar com um proprietário de carrão, percebi que sua grande preocupação era não estragar o dito cujo. Quando tirei as sandálias de salto, para descansar os pés, ele imediatamente perguntou se eu pretendia pisar no banco. Naquele instante minha intuição acendeu sua luz vermelha, e a historinha acabou ali.
Mas hoje em dia, quando vejo os carrões zunindo pelas avenidas da cidade, muitas das vezes ultrapassando pela direita, fechando os outros motoristas, acendendo o farol alto nos olhos dos que estão à frente e outros "que tais" típicos de quem se considera "o dono da rua", me pergunto se à namorada aquele motorista dá o mesmo nível de importância. Será que sua vaidade permite que ele seja tão detalhista e cuidadoso no amor quanto é com seu possante?
Olha um dos meus namorados aí!
segunda-feira, 27 de junho de 2011
A dor não pode ser desculpa para o erro
Às vezes, ficar doente pode ser um grande negócio: para muita gente, é uma boa maneira de esquivar-se das responsabilidades, dos riscos e da necessidade premente de agir.
Estou falando de pessoas que elegem a “patologia” como desculpa para as más escolhas que fazem e para as estradas tortuosas que tomam. E então, quando dão com os burros n’água, desculpam-se dizendo:
-- Mas é a minha doença que me faz agir assim...
E recorrem a uma série de traumas, rejeições, medos infantis sem solução, complexos de inferioridade, sofrimentos, frustrações e tudo o que houver na seara da tristeza, para justificar seus desacertos e fraquezas. No fundo, buscam a “pena” dos demais, muito mais que a solidariedade.
Lamentavelmente, elas acabam acreditando mesmo no que dizem, e podem ser tão convincentes, que nos fazem crer em sua ladainha. E então conquistam aquele “colinho” que, na realidade, só as prejudica ainda mais.
O problema, é que todas as pessoas, no planeta inteiro, têm suas histórias tristes para contar. Todo mundo já sofreu morte de pai ou mãe; todo mundo padeceu de bulling na escola, numa época em que esta palavra nem existia e a gente resolvia tudo sem ações judiciais; todos já foram humilhados, apanharam na infância, tiveram que digerir frustrações, sofreram, padeceram, tiveram medo...
A dor não pode ser desculpa para o erro, caso contrário, a humanidade inteira estaria perdida, e não haveria civilidade nem alegria.
O sofrimento é educativo: quem consegue lapidar-se vivendo só de bonança? Raríssimos. A maioria de nós, infelizmente, só se aprimora na dor. O que significa que, ao fazer de mim uma vítima, estou fechando os olhos para os ensinamentos que a vida quer me dar. Estou escolhendo não crescer; optando por continuar na imaturidade que justifica o erro.
Falta dignidade a quem tem pena de si mesmo, porque este caminho, tão fácil, só nos conduz à decadência, e pelas nossas próprias mãos.
Ver-se como doente e, portanto incapaz, é a maneira que uma pessoa tem para justificar sua paralisia, sua preguiça, sua teimosia, sua estupidez. E mais tarde, quando colher o fruto das suas escolhas, poderá culpar Deus e o mundo inteiro pela sua infelicidade, porque também é mais cômodo dizer que “Deus não quis” ou “que a vida foi dura”, ou que “meus pais não me ajudaram”, ou que “não tive oportunidades”.
Sim, é mais fácil escolher a doença. E no fim, morrer mesmo de tristeza.
Pior cego é o que não quer ver; e enxerga nuvens negras em tudo...
Estou falando de pessoas que elegem a “patologia” como desculpa para as más escolhas que fazem e para as estradas tortuosas que tomam. E então, quando dão com os burros n’água, desculpam-se dizendo:
-- Mas é a minha doença que me faz agir assim...
E recorrem a uma série de traumas, rejeições, medos infantis sem solução, complexos de inferioridade, sofrimentos, frustrações e tudo o que houver na seara da tristeza, para justificar seus desacertos e fraquezas. No fundo, buscam a “pena” dos demais, muito mais que a solidariedade.
Lamentavelmente, elas acabam acreditando mesmo no que dizem, e podem ser tão convincentes, que nos fazem crer em sua ladainha. E então conquistam aquele “colinho” que, na realidade, só as prejudica ainda mais.
O problema, é que todas as pessoas, no planeta inteiro, têm suas histórias tristes para contar. Todo mundo já sofreu morte de pai ou mãe; todo mundo padeceu de bulling na escola, numa época em que esta palavra nem existia e a gente resolvia tudo sem ações judiciais; todos já foram humilhados, apanharam na infância, tiveram que digerir frustrações, sofreram, padeceram, tiveram medo...
A dor não pode ser desculpa para o erro, caso contrário, a humanidade inteira estaria perdida, e não haveria civilidade nem alegria.
O sofrimento é educativo: quem consegue lapidar-se vivendo só de bonança? Raríssimos. A maioria de nós, infelizmente, só se aprimora na dor. O que significa que, ao fazer de mim uma vítima, estou fechando os olhos para os ensinamentos que a vida quer me dar. Estou escolhendo não crescer; optando por continuar na imaturidade que justifica o erro.
Falta dignidade a quem tem pena de si mesmo, porque este caminho, tão fácil, só nos conduz à decadência, e pelas nossas próprias mãos.
Ver-se como doente e, portanto incapaz, é a maneira que uma pessoa tem para justificar sua paralisia, sua preguiça, sua teimosia, sua estupidez. E mais tarde, quando colher o fruto das suas escolhas, poderá culpar Deus e o mundo inteiro pela sua infelicidade, porque também é mais cômodo dizer que “Deus não quis” ou “que a vida foi dura”, ou que “meus pais não me ajudaram”, ou que “não tive oportunidades”.
Sim, é mais fácil escolher a doença. E no fim, morrer mesmo de tristeza.
Pior cego é o que não quer ver; e enxerga nuvens negras em tudo...
sábado, 25 de junho de 2011
Saber desistir é uma arte
Minha vida já deu guinadas tão inacreditáveis que passei a respeitar um pouco mais os roteiros rocambolescos das novelas. E, quanto mais me abro às mudanças de rumo, às possibilidades (ainda que remotas) e até mesmo aos sonhos impossíveis, percebo que novas guinadas podem vir a acontecer __ou a murchar__ como se fossem ondas no mar. Inclusive porque desistir é uma arte e faz parte da vida tanto quanto lutar.
Acho que é uma conseqüência natural: a gente se abre pra vida, a vida vem.
Houve uma época em que eu tinha todo o futuro esquematizado na cabeça, mas o tempo foi passando enquanto a realidade parecia me empurrar para outros caminhos, porque por mais que eu me esforçasse, aquele roteiro que eu tinha traçado para mim estava longe de se concretizar. Um dia, entendi que ela, a vida, tem mais imaginação que eu. E aceitei que precisava aprender a “deixar pra trás”.
Amizades infrutíferas, sonhos ou projetos que não se realizam, amores que não evoluem, carreiras que não alavancam, convivências impossíveis, promessas que não se concretizam...
Aprenda a deixar para trás. Aceite que, talvez, seu destino esteja em outro lugar... sem deixar-se cair na armadilha de crer no "destino traçado", porque aí se esconde o perigo de, simplesmente, não agir, não buscar, não desistir, não partir pra outra. Mas é preciso reconhecer que, da mesma maneira que algumas coisas parecem fazer uma força danada para acontecer, outras... não acontecem! Em alguns casos, portanto, desistir pode ser uma atitude sábia, em vez de covarde. E que exige muita força, porque desistir dói.
Mas entenda que o desapego, muitas vezes, é a melhor alternativa, inclusive para que a vida flua, em vez de tornar-se cada vez mais estéril ou frustrante. Deixar para trás nos liberta e nos abre portas inimagináveis para destinos que, antes, nos pareceriam impossíveis.
Aprenda a seguir adiante, e com as mãos vazias, para que possa enchê-las de novo...
Novas amizades, nova carreira, novos sonhos, relacionamentos, oportunidades e todo o resto que faz a vida ser maravilhosa estão ao nosso alcance por toda parte, mas às vezes a gente precisa, antes de estender a mão e agarrar o “novo”, fazer uma reforma íntima e ajustar o foco do nosso olhar sobre nós mesmos: abrir o coração e a vontade para receber o dia e o que ele trouxer na bagagem e usar a inteligência para entender que, para mudar as coisas e o rumo dos acontecimentos, temos antes que mudar a nossa cabeça e desprogramar aquelas ações e reações destrutivas que trazemos gravadas em nós, sem que nos demos conta:
“Eu não mereço”. “É demais pra mim”. “Não pode ser verdade”. “Ah, se eu pudesse...” “Não consigo”. “Felicidade é para os outros”. “Fulano é fdp”. “A vida é dura”. “O ser humano é mau”. “Desconfie sempre”.
Temos que nos desarmar porque não estamos em combate com a vida: ela de um lado no ringue, e nós do outro, lutando para impor nossa vontade diante de um inimigo perigoso de modo que não precisemos desistir de nada.
Sei que não é fácil mudar nosso olhar e nosso comportamento, ou deixar de brigar com a vida e com as pessoas. Mas só assim conseguimos de fato abrir mão do que não frutifica, por mais que nos pareça impossível, e mudar o plantio, cultivar outro futuro.
Viver um namoro com o tempo, com o mundo. Deixar pra trás o lema de que a vida é uma batalha.
A gente tem que abraçar a vida e fazer amor com ela.
Abrace e beije a vida, pra que ela te abrace e te beije de volta!
Acho que é uma conseqüência natural: a gente se abre pra vida, a vida vem.
Houve uma época em que eu tinha todo o futuro esquematizado na cabeça, mas o tempo foi passando enquanto a realidade parecia me empurrar para outros caminhos, porque por mais que eu me esforçasse, aquele roteiro que eu tinha traçado para mim estava longe de se concretizar. Um dia, entendi que ela, a vida, tem mais imaginação que eu. E aceitei que precisava aprender a “deixar pra trás”.
Amizades infrutíferas, sonhos ou projetos que não se realizam, amores que não evoluem, carreiras que não alavancam, convivências impossíveis, promessas que não se concretizam...
Aprenda a deixar para trás. Aceite que, talvez, seu destino esteja em outro lugar... sem deixar-se cair na armadilha de crer no "destino traçado", porque aí se esconde o perigo de, simplesmente, não agir, não buscar, não desistir, não partir pra outra. Mas é preciso reconhecer que, da mesma maneira que algumas coisas parecem fazer uma força danada para acontecer, outras... não acontecem! Em alguns casos, portanto, desistir pode ser uma atitude sábia, em vez de covarde. E que exige muita força, porque desistir dói.
Mas entenda que o desapego, muitas vezes, é a melhor alternativa, inclusive para que a vida flua, em vez de tornar-se cada vez mais estéril ou frustrante. Deixar para trás nos liberta e nos abre portas inimagináveis para destinos que, antes, nos pareceriam impossíveis.
Aprenda a seguir adiante, e com as mãos vazias, para que possa enchê-las de novo...
Novas amizades, nova carreira, novos sonhos, relacionamentos, oportunidades e todo o resto que faz a vida ser maravilhosa estão ao nosso alcance por toda parte, mas às vezes a gente precisa, antes de estender a mão e agarrar o “novo”, fazer uma reforma íntima e ajustar o foco do nosso olhar sobre nós mesmos: abrir o coração e a vontade para receber o dia e o que ele trouxer na bagagem e usar a inteligência para entender que, para mudar as coisas e o rumo dos acontecimentos, temos antes que mudar a nossa cabeça e desprogramar aquelas ações e reações destrutivas que trazemos gravadas em nós, sem que nos demos conta:
“Eu não mereço”. “É demais pra mim”. “Não pode ser verdade”. “Ah, se eu pudesse...” “Não consigo”. “Felicidade é para os outros”. “Fulano é fdp”. “A vida é dura”. “O ser humano é mau”. “Desconfie sempre”.
Temos que nos desarmar porque não estamos em combate com a vida: ela de um lado no ringue, e nós do outro, lutando para impor nossa vontade diante de um inimigo perigoso de modo que não precisemos desistir de nada.
Sei que não é fácil mudar nosso olhar e nosso comportamento, ou deixar de brigar com a vida e com as pessoas. Mas só assim conseguimos de fato abrir mão do que não frutifica, por mais que nos pareça impossível, e mudar o plantio, cultivar outro futuro.
Viver um namoro com o tempo, com o mundo. Deixar pra trás o lema de que a vida é uma batalha.
A gente tem que abraçar a vida e fazer amor com ela.
Abrace e beije a vida, pra que ela te abrace e te beije de volta!
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Por onde anda o seu pensamento?
A minha mente é um cavalo selvagem, e montada nela é que vivo neste mundo.
Todo cuidado é pouco quando se trata deste cavalo, porque ele tem vontade própria e, se não for domado, é capaz de me conduzir a qualquer lugar, inclusive aos piores: houve um tempo em que vivi por lugares terríveis, ao lado de más companhias e num inverno glacial e sem fim. Não me dava conta de que sair dali dependia unicamente da minha própria decisão; bastava, apenas, um pouco de força de vontade.
Certa vez, eu voltava para casa caminhando por uma rua linda e cheia de árvores, quando, de repente, quase que por milagre, me dei conta do esplendor da tarde: senti o calor daquele dia, vi a luz do sol entre as folhas, as pessoas com suas roupas coloridas, o sorveteiro, os cachorrinhos, o portão da escola, as crianças, os carros passando, o mar lá adiante. Foi um susto, uma surpresa. E então olhei para dentro de mim e cheguei a sentir a umidade daquela rua escura que eu habitava, cheia de gente desesperada e sem fé na glória das manhãs. Uma rua perdida na noite, onde eu me sentia (e era, de fato) prisioneira dos meus sentimentos ruins: a autopiedade, o pessimismo, o ressentimento.
Foi naquele momento que me dei conta de que, ainda que a realidade esteja difícil, temos que tomar conta, o tempo inteiro, de por onde vai a nossa mente. Domar o cavalo selvagem e irracional que temos em nós, mas que também é forte, veloz, voluntarioso... feito só de impulso e instinto. Fazer dele um servo, não permitir que ele seja o senhor. Entendi o que quis dizer um mestre budista que conheci certa vez, quando aconselhou:
-- Vigiai!
E passei a vigiar a minha mente, a recusar os pensamentos destrutivos da mágoa, da desesperança, do medo e da angústia. Quando o cavalo entra por estas ruas, eu o conduzo pelos caminhos da alegria, tratando logo de evocar uma lembrança feliz ou uma expectativa boa. E mesmo que ele tenha relutado no começo, rapidamente se deixou domesticar, porque tudo nesta vida é uma questão de treino e de persistência.
Quando dei por mim, já habitava outro mundo, e meu cavalo seguia manso sob o meu comando, levando-me somente a lugares em que eu era feliz por estar. Hoje conheço sua força e sei lidar com ela: entendo bem sobre os seus perigos e armadilhas, afinal, sua essência é a de um animal selvagem. Mas o mais importante de tudo, é que descobri também a minha força, e entendi que nada pode ser mais veemente que a vontade de ser feliz.
Todo cuidado é pouco quando se trata deste cavalo, porque ele tem vontade própria e, se não for domado, é capaz de me conduzir a qualquer lugar, inclusive aos piores: houve um tempo em que vivi por lugares terríveis, ao lado de más companhias e num inverno glacial e sem fim. Não me dava conta de que sair dali dependia unicamente da minha própria decisão; bastava, apenas, um pouco de força de vontade.
Certa vez, eu voltava para casa caminhando por uma rua linda e cheia de árvores, quando, de repente, quase que por milagre, me dei conta do esplendor da tarde: senti o calor daquele dia, vi a luz do sol entre as folhas, as pessoas com suas roupas coloridas, o sorveteiro, os cachorrinhos, o portão da escola, as crianças, os carros passando, o mar lá adiante. Foi um susto, uma surpresa. E então olhei para dentro de mim e cheguei a sentir a umidade daquela rua escura que eu habitava, cheia de gente desesperada e sem fé na glória das manhãs. Uma rua perdida na noite, onde eu me sentia (e era, de fato) prisioneira dos meus sentimentos ruins: a autopiedade, o pessimismo, o ressentimento.
Foi naquele momento que me dei conta de que, ainda que a realidade esteja difícil, temos que tomar conta, o tempo inteiro, de por onde vai a nossa mente. Domar o cavalo selvagem e irracional que temos em nós, mas que também é forte, veloz, voluntarioso... feito só de impulso e instinto. Fazer dele um servo, não permitir que ele seja o senhor. Entendi o que quis dizer um mestre budista que conheci certa vez, quando aconselhou:
-- Vigiai!
E passei a vigiar a minha mente, a recusar os pensamentos destrutivos da mágoa, da desesperança, do medo e da angústia. Quando o cavalo entra por estas ruas, eu o conduzo pelos caminhos da alegria, tratando logo de evocar uma lembrança feliz ou uma expectativa boa. E mesmo que ele tenha relutado no começo, rapidamente se deixou domesticar, porque tudo nesta vida é uma questão de treino e de persistência.
Quando dei por mim, já habitava outro mundo, e meu cavalo seguia manso sob o meu comando, levando-me somente a lugares em que eu era feliz por estar. Hoje conheço sua força e sei lidar com ela: entendo bem sobre os seus perigos e armadilhas, afinal, sua essência é a de um animal selvagem. Mas o mais importante de tudo, é que descobri também a minha força, e entendi que nada pode ser mais veemente que a vontade de ser feliz.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Não me procure no Orkut...
...nem no Facebook, nem no Twitter... porque eu não estou lá: estou na minha casa ou no meu telefone. Não foi assim que os amigos sempre se encontraram? E, para quem não é amigo a ponto de uma intimidade destas, temos aí blog e e-mail. Tá mais que bom.
As redes de “relacionamento” são o que há de pior em termos de invasão: quem foi que disse que quero notícias de todos os meus amiguinhos de infância ou de adolescência? Que quero ser encontrada por ex-namorados? Por familiares com quem não convivo? Por gente que passou pela minha vida e, como o próprio verbo comprova, já foi? Quem disse que gosto de relembrar historinhas do passado? E muito menos me interessa contar minha vida a uma platéia que nunca conheci...
Benza Deus, minha carência não chega a tanto, e fico satisfeita com os relacionamentos que mantive. Aqueles que deixei que se perdessem... podem continuar perdidos como estão, e não vai ser com uma ficha em site de relacionamentos que vou deixar estragar meu sossego.
Por falar nisso, que nome é este? Rede de relacionamento? Sou do tempo em que “relacionamento” era uma coisa mais concreta que trocar notícias via internet: a gente se relacionava mesmo, se encontrava, conversava, olhava nos olhos, se abraçava, ouvia a voz e a risada do outro... Com o comodismo das redes, os encontros físicos começam a ser adiados, adiados... até que a amizade acaba virando uma fantasia virtual. Um dia, quando você finalmente encontra aquela sua amigona, percebe que a afinidade entre vocês já nem existe mais.
Até as crianças estão entrando na onda de acreditar que a Internet é a melhor maneira para brincar... queimado? Pique-esconde? Mas que coisa ultrapassada! Elas querem é teclar!
Caaaalma! É claro que acho a Internet uma das maiores invenções da história humana... assim como e-mails e blogs. Mas vejam... minha amiga Cristina, por exemplo, quer ser minha amiga também no Quepasa.com... mas ela já não é minha amiga? Quer ser minha amiga de novo? Ou quer ser mais minha amiga? Francamente não vejo em quê o Orkut e seus parentes podem contribuir para que uma amizade se fortaleça. Ou você realmente acredita que era impossível ser amigo antes que alguém inventasse estas redes?
Pode dizer que sou do tempo do Matusalém, que parei no tempo, inclusive... mas vou te contar uma coisa: adoro receber uma cartinha via correio... Telegrama de aniversário, então... Uma visita em casa... E encontrar aquele amigo para um almoço ou um café? Até mesmo um bom papo pelo telefone pode ser uma diversão... melhor que alimentar a neurose coletiva que desperta, em seres humanos anônimos, o deleite de ser acessado, clicado, procurado, chamado, seguido... até por gente totalmente desconhecida, que aparece dizendo que “quer ser seu amigo”!
Quer mesmo, é? Ah, então já que é assim, aproveita e pede um dinheiro emprestado, pra ver se sua popularidade continua alta...
As crianças não brincam mais assim...
As redes de “relacionamento” são o que há de pior em termos de invasão: quem foi que disse que quero notícias de todos os meus amiguinhos de infância ou de adolescência? Que quero ser encontrada por ex-namorados? Por familiares com quem não convivo? Por gente que passou pela minha vida e, como o próprio verbo comprova, já foi? Quem disse que gosto de relembrar historinhas do passado? E muito menos me interessa contar minha vida a uma platéia que nunca conheci...
Benza Deus, minha carência não chega a tanto, e fico satisfeita com os relacionamentos que mantive. Aqueles que deixei que se perdessem... podem continuar perdidos como estão, e não vai ser com uma ficha em site de relacionamentos que vou deixar estragar meu sossego.
Por falar nisso, que nome é este? Rede de relacionamento? Sou do tempo em que “relacionamento” era uma coisa mais concreta que trocar notícias via internet: a gente se relacionava mesmo, se encontrava, conversava, olhava nos olhos, se abraçava, ouvia a voz e a risada do outro... Com o comodismo das redes, os encontros físicos começam a ser adiados, adiados... até que a amizade acaba virando uma fantasia virtual. Um dia, quando você finalmente encontra aquela sua amigona, percebe que a afinidade entre vocês já nem existe mais.
Até as crianças estão entrando na onda de acreditar que a Internet é a melhor maneira para brincar... queimado? Pique-esconde? Mas que coisa ultrapassada! Elas querem é teclar!
Caaaalma! É claro que acho a Internet uma das maiores invenções da história humana... assim como e-mails e blogs. Mas vejam... minha amiga Cristina, por exemplo, quer ser minha amiga também no Quepasa.com... mas ela já não é minha amiga? Quer ser minha amiga de novo? Ou quer ser mais minha amiga? Francamente não vejo em quê o Orkut e seus parentes podem contribuir para que uma amizade se fortaleça. Ou você realmente acredita que era impossível ser amigo antes que alguém inventasse estas redes?
Pode dizer que sou do tempo do Matusalém, que parei no tempo, inclusive... mas vou te contar uma coisa: adoro receber uma cartinha via correio... Telegrama de aniversário, então... Uma visita em casa... E encontrar aquele amigo para um almoço ou um café? Até mesmo um bom papo pelo telefone pode ser uma diversão... melhor que alimentar a neurose coletiva que desperta, em seres humanos anônimos, o deleite de ser acessado, clicado, procurado, chamado, seguido... até por gente totalmente desconhecida, que aparece dizendo que “quer ser seu amigo”!
Quer mesmo, é? Ah, então já que é assim, aproveita e pede um dinheiro emprestado, pra ver se sua popularidade continua alta...
As crianças não brincam mais assim...
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Quando o conforto é uma ilusão
Muitas vezes, educados para "aguentar" a barra, "suportar" as dificuldades, "aturar" situações, "segurar a onda" do que nos incomoda, acabamos levando uma vida inteira de esforço e infelicidade.
E em nome de quê?
Pare para avaliar, com cuidado, e verá que muito do que anda suportando não vale o preço que tem que pagar. E que, mais do que qualquer coisa, o verdadeiro xis da questão pode ser o comodismo. Como eu já disse em algum post no passado, ser feliz dá um trabalho danado, e não raro a gente tem que dar um salto no escuro, sem paraquedas e rede de proteção...
Já fui do tipo que aguentava a dor de cabeça o dia inteiro porque, simplesmente, achava que tomar remédio era coisa de gente fraca. Já fui do tipo que, por não gostar de discutir, era capaz de aceitar o desrespeito. Pode não parecer, mas por trás de tanto esforço em "deixar pra lá", o que se escondia era o comodismo: demorei para perceber, mas tomar uma atitude é coisa para poucos. Deixar como está, ao contrário, é o caminho mais fácil. Mais cômodo. Mas só aparentemente, porque, na realidade, nos toma muita energia, muita saúde, muita alegria e, por fim, muita vida.
Quantas vezes nos deixamos levar pelo comodismo e não damos um basta em pessoas ou situações insuportáveis? Uma amizade que não anda saudável, mas que tem lá suas vantagens... um desconforto físico que, para ser curado, exige médico, exames, remédios... um namoro cujo prazo de validade já venceu, mas aí teremos que enfrentar a solidão e, depois, começar do zero com outra pessoa... aquela fome noturna que, para ser vencida, exige que você saia da cama... e por falar em fome, aquela dieta que você precisa fazer para voltar a se sentir bem consigo mesmo, mas que necessita dedicação e força de vontade... um casamento falido que, para acabar, vai levar junto metade dos bens... um emprego que paga bem, mas onde você já não está feliz...
Diante de tanto trabalho, a gente prefere aguentar e fingir que se dá por satisfeito com o que pode tirar de bom do que nos exaspera. Mas o que é que há de bom em aturar pessoas que a gente não suporta? O que há de bom em estar gordo ou sentir dor ou, ainda, dormir com fome? O que pode haver de bom em ganhar muito dinheiro em troca do nosso tempo e de toda a energia perdida em projetos que não nos fazem felizes? O que pode haver de bom na sua vida jogada fora, ainda que seja só um dia?
A gente nunca sabe quanto tempo tem para ser feliz, por isso a hora é agora. Passar a existência "aguentando" é o mesmo que jogar a vida fora. Deixe para exercitar sua capacidade de "suportar" quando (e se) a vida te trouxer algo realmente terrível. Enquanto isso, dê mais valor à sua alegria e liberte-se do que te aprisiona.
E em nome de quê?
Pare para avaliar, com cuidado, e verá que muito do que anda suportando não vale o preço que tem que pagar. E que, mais do que qualquer coisa, o verdadeiro xis da questão pode ser o comodismo. Como eu já disse em algum post no passado, ser feliz dá um trabalho danado, e não raro a gente tem que dar um salto no escuro, sem paraquedas e rede de proteção...
Já fui do tipo que aguentava a dor de cabeça o dia inteiro porque, simplesmente, achava que tomar remédio era coisa de gente fraca. Já fui do tipo que, por não gostar de discutir, era capaz de aceitar o desrespeito. Pode não parecer, mas por trás de tanto esforço em "deixar pra lá", o que se escondia era o comodismo: demorei para perceber, mas tomar uma atitude é coisa para poucos. Deixar como está, ao contrário, é o caminho mais fácil. Mais cômodo. Mas só aparentemente, porque, na realidade, nos toma muita energia, muita saúde, muita alegria e, por fim, muita vida.
Quantas vezes nos deixamos levar pelo comodismo e não damos um basta em pessoas ou situações insuportáveis? Uma amizade que não anda saudável, mas que tem lá suas vantagens... um desconforto físico que, para ser curado, exige médico, exames, remédios... um namoro cujo prazo de validade já venceu, mas aí teremos que enfrentar a solidão e, depois, começar do zero com outra pessoa... aquela fome noturna que, para ser vencida, exige que você saia da cama... e por falar em fome, aquela dieta que você precisa fazer para voltar a se sentir bem consigo mesmo, mas que necessita dedicação e força de vontade... um casamento falido que, para acabar, vai levar junto metade dos bens... um emprego que paga bem, mas onde você já não está feliz...
Diante de tanto trabalho, a gente prefere aguentar e fingir que se dá por satisfeito com o que pode tirar de bom do que nos exaspera. Mas o que é que há de bom em aturar pessoas que a gente não suporta? O que há de bom em estar gordo ou sentir dor ou, ainda, dormir com fome? O que pode haver de bom em ganhar muito dinheiro em troca do nosso tempo e de toda a energia perdida em projetos que não nos fazem felizes? O que pode haver de bom na sua vida jogada fora, ainda que seja só um dia?
A gente nunca sabe quanto tempo tem para ser feliz, por isso a hora é agora. Passar a existência "aguentando" é o mesmo que jogar a vida fora. Deixe para exercitar sua capacidade de "suportar" quando (e se) a vida te trouxer algo realmente terrível. Enquanto isso, dê mais valor à sua alegria e liberte-se do que te aprisiona.
domingo, 19 de junho de 2011
Felicidade é chutar o balde
Há momentos na vida em que a alegria só é possível quando a gente chuta o balde. Já aconteceu com você? Acontece com todo mundo, o que varia é apenas o tempo que levamos para chegar a este momento mágico da transição. Mágico sim, porque, dependendo do balde que a gente chuta, as coisas nunca mais serão como antes.
Soube de um cidadão que, depois de ver “Beleza Americana”, chutou o balde do casamento. Inspirado pela coragem do herói do filme, deu um basta na infelicidade conjugal e foi cantar em outra freguesia. Não sei o fim da história: se ele conseguiu ser feliz com a nova vida ou se, acovardado diante dos desafios do futuro, preferiu fazer o caminho de volta. Mas a questão não é essa.
A questão, agora, é aquele momento em que a gente não dá conta de segurar a peteca. Aquele instante derradeiro em que, como uma panela cheia, nossa cabeça deixa o leite transbordar.
Chamo aqui outro filme, “Um dia de fúria”, que fala exatamente disso através de um homem calminho que, um dia, explode. O fim é previsível, porque neste mundo em que vivemos a civilidade exige a auto-vigilância e, muitas vezes, a aceitação de absurdos. Dou risada da metáfora vivida por Michael Douglas, o protagonista, porque ele mostra aquele lado meio doido que todos nós temos dentro de nós, amordaçado... mas que, às vezes, foge e faz mil maluquices por aí.
Não estou defendendo a irresponsabilidade, porque sou doida mas não sou maluca. O que defendo, é o direito que temos à aventura da mudança, porque sem isso a vida não tem nenhuma cor, que dirá alguma graça.
Um emprego que você joga pelos ares; um chato que você risca do seu caderninho; alguma odiosa obrigação que você simplesmente deleta das suas prioridades; uma viagem sonhada que, de repente, você resolve fazer; uma declaração de amor que, inesperadamente, vence a timidez; umas boas verdades que, de um salto, saem pela sua boca; um presente caro que você decide se dar; um dia de folga que você rouba do calendário, só para ser feliz... e até mesmo uma dieta pouco calórica que vira fumaça...
Olhe para dentro de si mesmo e vai levar um susto com a quantidade de baldes, cheinhos, que estão aí, à espera de um pontapé “daqueles”! E mande a culpa para as cucuias!
Soube de um cidadão que, depois de ver “Beleza Americana”, chutou o balde do casamento. Inspirado pela coragem do herói do filme, deu um basta na infelicidade conjugal e foi cantar em outra freguesia. Não sei o fim da história: se ele conseguiu ser feliz com a nova vida ou se, acovardado diante dos desafios do futuro, preferiu fazer o caminho de volta. Mas a questão não é essa.
A questão, agora, é aquele momento em que a gente não dá conta de segurar a peteca. Aquele instante derradeiro em que, como uma panela cheia, nossa cabeça deixa o leite transbordar.
Chamo aqui outro filme, “Um dia de fúria”, que fala exatamente disso através de um homem calminho que, um dia, explode. O fim é previsível, porque neste mundo em que vivemos a civilidade exige a auto-vigilância e, muitas vezes, a aceitação de absurdos. Dou risada da metáfora vivida por Michael Douglas, o protagonista, porque ele mostra aquele lado meio doido que todos nós temos dentro de nós, amordaçado... mas que, às vezes, foge e faz mil maluquices por aí.
Não estou defendendo a irresponsabilidade, porque sou doida mas não sou maluca. O que defendo, é o direito que temos à aventura da mudança, porque sem isso a vida não tem nenhuma cor, que dirá alguma graça.
Um emprego que você joga pelos ares; um chato que você risca do seu caderninho; alguma odiosa obrigação que você simplesmente deleta das suas prioridades; uma viagem sonhada que, de repente, você resolve fazer; uma declaração de amor que, inesperadamente, vence a timidez; umas boas verdades que, de um salto, saem pela sua boca; um presente caro que você decide se dar; um dia de folga que você rouba do calendário, só para ser feliz... e até mesmo uma dieta pouco calórica que vira fumaça...
Olhe para dentro de si mesmo e vai levar um susto com a quantidade de baldes, cheinhos, que estão aí, à espera de um pontapé “daqueles”! E mande a culpa para as cucuias!
Chutei o balde da dieta e mandei brasa no macarrão... mas fui pega em flagrante!
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