segunda-feira, 14 de abril de 2014

On the road again


Quer treinar o espanhol? Venha para a Flórida. Todas as vezes que tentei falar inglês por aqui, foi em vão. A Flórida é latina, seja no povo, na música, na cultura e na língua que se ouve pelas ruas. A gente nem se dá conta de que está nos Estados Unidos. Miami e Orlando são a América Latina que deu certo. Romero Brito está por toda parte, e assim como ele, gringos morenos, que falam inglês com sotaque, fazem a vida por aqui. A maioria com quem conversei veio de Cuba ou da Colômbia, e embora sonhe com a terra-natal me disse sentir-se em casa aqui também.

E uma coisa eu te digo: nunca vi três horas e meia tão demoradas como as que separam Miami e Orlando... as nossas três horas e meia duraram cinco e meia, porque não dá pra fazer este percurso sem passar por Fort Lauderdale e Palm Beach, lugares onde os milionários americanos curtem a praia e seus big iatezinhos. O equivalente a nossa Angra dos Reis, mal comparando...
 
 

Pois bem. Viajar de carro por aqui é bom, porque a estrada é um tapete. Fiquei procurando um buraco, um remendo que fosse, mas não achei. O asfalto é de altíssima, resiste ao tráfego pesado numa “nice”. (Ai, ai...) Passar horas dirigindo um carro no piloto automático, a 110 km por hora, sem se preocupar com curvas fechadas, buracos, vacas na pista, carros enguiçados e motoristas do tipo que aceleram quando a gente dá a seta realmente é uma delícia. Melhor do que ir para os parques da Disney, coisa aliás, que não fizemos... por mais incrível que possa parecer. Ééééé... nós viemos de Marte e somos os únicos seres viventes neste planeta que vão a Orlando e não dão as caras nos parques nem mesmo para babar no Harry Potter.
Ao pegar uma estrada nos Estados Unidos a gente entende um pouco a cultura americana em relação aos carros e às estradas. E por que tantas músicas e filmes fazem referência a deixar tudo para trás e seguir sem rumo. Talvez os carrões não sejam simplesmente um capricho para eles, mas jeito de viver representado pela Harley Davidson.
E Orlando já não é aquele oba-oba de compras, sabe? Aquela coisa looouuuca de comprar um tênis e ganhar o segundo; de comprar duas calças e ganhar a terceira, de ganhar cupons de desconto nas lojas para voltar no dia seguinte... não. A crise de 2008 passou, os brasileiros chegam cada vez mais e os comerciantes locais resolveram dar um arroxo. Mas a brasileirada não liga e compra a rodo pois mesmo assim ainda é vantajoso. Só aviso uma coisa: excesso de bagagens dói demais no bolso: quatro quilos me custariam 200 dólares. Só não custaram porque ali mesmo, na fila do check-in para NY, abri as malas e tratei de rearrumar tudo, fazendo cara de paisagem para os olhares curiosos da fila toda em cima da minha bagagem.
 
Miami é uma cidade enorme, cheia de autoestradas e viadutos, obras por todos os lados, e com frequência o GPS dá uma pirada na batatinha. Nessas horas o estresse vai às alturas porque a gente se sente perdido dentro de um prato de macarrão. Por isso mesmo, nunca, jamais, escrever “Miami International Airport” no GPS. Porque o GPS é burro e não entende que você quer ir para o RENT A CAR CENTER. E aí, como o aeroporto fica no meio da cidade e mil caminhos levam até ele, o GPS vai fazer com você o que fez conosco, ou seja, te levar para a entrada dos fundos, na área de cargas. E aí, meu nego, até encontrar o caminho certo, você já perdeu o avião...



quinta-feira, 10 de abril de 2014

Welcome to Miami

Vou logo avisando: o point de Miami está fora de Miami. Por quê? Porque o famoso Bayside é de uma breguice que não cabe em palavras. Chato, música altíssima, lojas caríssimas... Coconut Grove, por sua vez, só não é um tédio para quem tem bala na agulha pra ser dono de iate e morar pelas cercanias.

Assim sendo, o bom mesmo de Miami é cruzar a ponte e curtir Miami Beach. Melhor dizendo, South Beach, a pontinha deliciosa do sul da ilha, onde o charme art deco se mistura a um azul do céu e do mar que eu nunca vi igual...e que faz a gente pensar nos livros do Gabriel García Márquez... juro que em tais condições de pressão e temperatura quase me senti Fermina Daza, a heroína de "O amor nos tempos do cólera", ai, ai...




Passear por South Beach não tem mistério. Na verdade, toda Miami Beach é muito bem dividida, a exemplo de NY, o que facilita a vida do turista. E então a gente pode curtir a paisagem, o casario e se deliciar com cenas inusitadas como estas aí abaixo. Inglês é idioma que quase não se ouve pelas ruas ou no comércio, e acho que esta é uma das razões pelo crescente turismo brasileiro por aqui. O portunhol é a língua oficial da região. O engraçado é que mesmo quando funcionários de hotéis, lojas ou restaurantes se oferecem para falar em português com os brasileiros, estes em geral se recusam.

Aliás, por falar em portunhol, nunca vi tanto cubano junto. (Pudera, ainda não estive em Cuba). Mas o fato é que acho que em South Beach deve ter mais cubano do que americano por cada metro quadrado. Dá até vontade de dar um pulo a Havana e conhecer aquelas praias maravilhosas e aquele povo simpático, mas aí eu penso na realidade amarga que reina por lá e desisto. Quem sabe um dia crio coragem?

 
 
 
Por enquanto fiquemos com a Ocean Drive, a famosa avenida atlântica de South Beach, cheia de bares e hotéis em prédios antiguinhos, e totalmente livre de arranha-céus e engarrafamentos monumentais...
 
 
A praia é um caso à parte. Pra começar, ela conta com uma esteira emborrachada presa à areia, que serve de passagem para as pessoas caminharem até mais perto do mar...
 
 
A praia é pública, mas não significa que tudo é permitido...

 
E talvez por isso mesmo a praia seja assim tão limpa, tão organizada, tudo tão bonito... a areia parece mais limpa que o tapete da sala lá de casa...

 
Mas há liberdade para a gente ser quem a gente é...


E olha os garotões de South Beach aí...


E tem as sereias do tipo americano...


E os tipos curiosos...

 
Saca a organização da barraca de refri:
 
 
Na orla, vale tudo pra chamar a atenção...


Mas todo cuidado é pouco ao sair de carro, ok?


Melhor alugar uma motoca

 
Ou vá de bike, que aliás o ônibus tem lugar especial para ela e o motorista desce para ajudar a ajeitar a magrela no lugar...



Mas South Beach também tem os seus contrastes...


E seus points são Lincoln Road e Espanola Way, que concentram bares, lojinhas, ateliês de artistas, restaurantes legais e eticétera e tal...


A noite em South Beach é colorida, alegre e mágica...


Tão mágica que parece coisa de cinema, e se a gente não tomar muito cuidado, pode até acabar se esquecendo de quem é...

segunda-feira, 7 de abril de 2014

O valor das férias

Não sei como é que pode, mas tem gente que aguenta, e mais: acha o máximo dos máximos viver sem tirar férias. Pois eu sou do contra. E tão do contra que ainda tiro férias no meio do ano letivo, no meio de um projeto do trabalho, no meio de qualquer coisa... desde que meu corpo ou minha alma peçam arrego. Não me sacrifico a ponto de virar escrava de nada. Corto as algemas e vou. Não é à toa que um dos meus filmes preferidos é o "Pão e Tulipas". Já viu? Se não viu vá ver. Trocando em miúdos, ela se enche e dá um tchau para a casa, os filhos, as plantas e o marido... e vai curtir Veneza em paz.

Já vi muitas, muitas histórias de gente dedicada ao extremo aos compromissos da vida, gente que prefere abdicar das férias pelo prazer macabro de martirizar-se no trabalho contínuo ano após ano, e protelando o descanso como se ele fosse uma miragem no Saara. Sabe como é? Coloca cada ano trabalhado em cima da estante da sala como se fosse um troféu da própria competência. E acreditando mesmo que não pode parar por uns dias porque pode ser que depois se arrependa. E se der problema na empresa? Se na volta a casa estiver uma bagunça total? Se os filhos estiverem anêmicos, mortos de fome, reprovados na escola? Se o marido não tiver nem uma camisa limpa pra vestir? Se o chefe tiver entrado em parafuso? Se os clientes... sei lá? Vai que o planeta pare de girar?

Será mesmo? Talvez, na pior das hipóteses, o medo seja de sair de férias e não conseguir relaxar. Ou de, lá no fundo, não fazer tanta falta assim para aqueles que ficarão...  pode ser o tal apego ao masoquismo da batalha interminável. Há heroísmo nisso, afinal. Um heroísmo idiota, mas fazer o quê?´

Eu, que nunca fui Mulher Maravilha e não nasci pra sofrer, largo (quase) tudo e vou. Na volta eu arrumo a casa, estudo em dobro, faço hora-extra no trabalho, corro atrás do prejuízo, se é que pode haver algum. Mas deixar de curtir a vida por causa de um "possível" arrependimento... isso sim é que é ter motivo pra se arrepender depois!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Frase do dia

"Toda vez que você diz 'eu sei' está deixando de pensar ou de aprender algo"

                                                                                                      (Albert Einstein)


sexta-feira, 28 de março de 2014

Make love, not lepo-lepo

Diz o Marcos Lúcio: 
 
"Esta piadinha é beeeeeem legal... Lepo-lepo é mau-gosto total! Coisa mais caricata e idiotizante: 
 
 Eles se reencontraram por acaso, uns cinco anos depois do fim. Ela nunca entendeu o motivo do 'pé na bunda'. Ele alegou na época que era por uma razão bem particular. Qual era? Jamais disse. Agora ela tinha a oportunidade de perguntar novamente: por quê? O que tão grave separara os dois? Dessa vez, sossegado pela distância do tempo, ele resolveu falar:

- Me desculpe, mas eu perdi todo o meu interesse no dia que você sugeriu que a gente fizesse um... lepo-lepo.

 - Lepo-lepo???

- Isso, daquela música que fez sucesso na época. Desculpe pela franqueza tardia, mas eu sou um cara que transa, trepa, faz amor, essas coisas. Mas... lepo-lepo??? Pelamordedeus, hein???

E ele foi embora mais uma vez, sem olhar pra trás."


quarta-feira, 26 de março de 2014

Frase do dia

"O mestre não é aquele que vence sempre, é aquele que dá o melhor de si em todas as situações"

                                                                                                  Carlos Castañeda


domingo, 23 de março de 2014

O que seria do vermelho se todos gostassem do azul?

O bichinho de estimação da minha amiga Cíntia é uma gatinha chamada Milk...



E o da minha amiga Lu é um gambazinho chamado Coffee...
 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Batatas

Ela descascava as batatas e as colocava no mármore encardido da pia da cozinha.
A porta fechada era uma fronteira viva entre o corredor decorado por naturezas-mortas e a protegia das reclamações do pai, que inundavam a casa, vindas do quarto do moribundo. Foi sempre assim. O pai sempre perdeu muito tempo reclamando da vida e queixando-se da mão de Deus. Viveu os plenos dias e a insanidade, por fim.

A porta se abriu. A mãe entrou na cozinha maldizendo a suposta sujeira dos móveis e lamentando a velhice que lhe apagou os traços. Na sucessão das noites morreram-lhe os sonhos, restando a amargura pelo irrevogável.
Por um momento as vozes se confundiram, se misturaram como se fossem um dueto, e a ouvinte pousou a faca sobre o mármore, deixou cair a batata.
A mãe saiu da cozinha, deixando a porta aberta.

O pai se calou.
Ela retomou as batatas.
Mas o silêncio era pesado, o silêncio era afiado. O silêncio era quase rubro.

A lâmina prata refletiu a luz que vinha pela janela.

A luz.
O pai gritou outra vez em seu quarto.

A mãe gritou outra vez por Deus.
Deus?

A batata tombou na pia, a mão deslizou sobre o mármore.
O mármore frio como uma laje esquecida.

Socorro.

Um grito inaudível e cortante, um grito por Deus.

A luz.

Deus?

A lâmina.
O suplício.

O suplício rubro.

As batatas vermelhas rolando pelo mármore.
A natureza-morta invadindo o espaço da cozinha.

(Fernanda Dannemann)

sexta-feira, 7 de março de 2014

"O ser humano virou salsicha"

Se o blog do Migliaccio é bom, imagina conversar com ele... passado o Carnaval, ele me solta esta frase que virou título de post:

-- O ser humano virou salsicha! Todo mundo igual...
Eu ri, e ri pela expressão de tédio e desânimo na cara dele, e também provavelmente na minha. Pouca gente está se dando conta, mas a TV e as redes sociais estão unificando tudo de uma maneira nojenta. Este desejo humano de ser aceito, “de entrar para o clube” é a mola que acaba com as diferenças. Mas que coisa chata, hein? Que pobreza emocional! É assim que nascem as ditaduras e a ignorância se perpetua.

Por todas estas coisas, eu não aguento mais ver TV aberta, tomei verdadeira ojeriza, acho tudo uma cafonice sem tamanho. Todo mundo fazendo pose, caras e bocas, vendendo a alma pra aparecer no programa do Faustão ou da Fátima Bernardes... ai, ai... credo.
Não vi nada (NADA) de carnaval. Viajei pra Marte. Não, não, viajei pra Saturno, que é mais longe. Certamente haverá por aí uma legião de salsichas que me chame de maluca, mas logrei passar o Carnaval incólume, sem barulho, desfile, vodca, noitaaaaada...

Só por que é Carnaval a gente tem que entrar na dança?
Na Quarta-feira de Cinzas eu estava inteira, pronta para o ano que então começa, e sem ressaca no corpo ou na alma, sem fantasia pra jogar fora ou recosturar, sem precisar fazer desintoxicação com suco verde.  Porque Carnaval é assim, vira cinzas na quarta-feira...
Alguma salsicha de plantão dirá que ando melancólica, e é verdade. Deve ser a TPM, coisa de mulherzinha. Ou de alienígena que não entra na dança dos blocos enfurecidos na cidade colorida.

A salsichada já chegou até mesmo nos desfiles na Sapucaí, onde é triste de se ver a comissão de frente dançando coreografias... eu me recuso!

Alguma salsicha dirá:
-- Ah, mas isso aí é o maior show da Terra, o mundo inteiro tá vendo, tem que profissionalizar, os americanos estão de olho... é muito dinheiro correndo...

Ah, é, é? Dinheiro correndo? E quede o samba no pé? Este é que já correu, e há muito tempo. Fugiu. Até os passistas não podem mais sambar livremente!  
Estão fazendo com o Carnaval o mesmo que fizeram com o futebol: matando toda a raiz e enlatando o que sobra.
O que sobra? É salsicha!