domingo, 10 de novembro de 2013

Churrasco na laje, atração carioca

Para o turista que realmente quer conhecer o espírito carioca, não basta ver Fla-Flu no Maracanã, tomar água de coco na praia, passear por Ipanema, voar da asa delta em São Conrado ou ter sua carteira roubada no carnaval.

Nas comunidades do Rio, o churrasquinho na laje é um evento carioquíssimo. Como bem pude constatar na tarde de domingo, não muito confortável, é bem verdade... mas nada que uma caipirinha caprichada no gelo não dê um jeito de amenizar, e lá pelas tantas a gente ri de tudo, cai no samba e, comer, que é bom... vai depender da rapidez individual na hora de encher o prato.

Eu seria capaz de jurar que o estrangeiro nunca desfrutou de evento igual, a começar pela churrasqueira, quase dentro de casa. Dá-lhe batata e pão pra compensar a carne, que nem sempre é lá grande coisa ou dá pra todo mundo...

 
O pãozinho francês cheio de alho, bem ali ao lado...

 
Mais carne...


                          Ventilador é indispensável (pra amenizar o calor e afastar a fumaceira!)


         Caixa de som também, é claro... e manda funk nas ideias! (Levar um analgésico é sempre bom).


 A sobremesa é banana assada com canela e açúcar... verdadeira delícia, apesar da aparência esquisita


                                                 O churrasqueiro é sempre uma atração...


E a vista é de impressionar!

 
Mas para quem tem curiosidade a respeito do verdadeiro churrasco carioca, sugiro ler, abaixo, o comentário do Marcos Lúcio, leitor e pitaqueiro do blog, como sempre fidelíssimo à realidade

7 comentários:

  1. Não é implicância e nem teria motivo, mas considero churrasco um pouco vulgar e não interessa se de rico ou pobre. Pessoalmente evito sempre, em churrascarias caras, inclusive.Rodízio é típico de gente mal educada: encher o bucho, dar prejuízo à casa rs.Fartem-se os simpatizantes. De tudo que li no post, o pior é: "Caixa de som também, é claro... e manda funk nas ideias!".Meu ouvido não é penico e não suporto, conceitualmente, esta trilha "sonora" ensurdecedora e do inferno rs, nem por um minuto.Quem gosta deste barulho, merece "ficar atoladinho" ou trotar como a ridícula "eguinha pocotó", sem falar na indigência das "letras" e das "vozes". Cruzes!

    "E a vista é de impressionar" eu não diria. Considero lamentável o contraste entre a miséria e a feíúra da favela (só admito ver "beleza" se for morador), e o belo visual do da orla onde vivem os abastados.

    Não sei se é verdade, a seguir, pois não participo. Terei de fazer dois posts.

    Santé e axé!

    Agora descubra algumas diferenças do Churrasco do Rico e Pobre

    O Traje Feminino

    Rico: Calça capri de cor clara da Zara ou outra grife importada; Bolsas L.Vuitton, Prada. Camisetinha básica branca da Club Chocolate ou Doc Dog., óculos Prada, Chanel, D&g, sandalinha rasteira da Lenny. Ela sempre chega sozinha, dirigindo o seu próprio carro.

    Pobre: Mini-saia ou shortinho curtíssimos e aroxados, blusinha da C&A estampada, tamanco de madeira de salto altíssimo, óculos coloridos, piercing e anel no dedo do pé. Muitas usam biquíni por baixo, na esperança de tomar um banho de piscina (improvisada).

    O Traje Masculino

    Rico: Bermuda Hugo Boss ou Richard, camisa esporte Siberian ou Brooksfield, óculos Armani e aquela caminhonete importada maravilhosa.

    Pobre: Chinelo Rider, bermuda florida ou feita de uma calça jeans cortada com a barriga aparecendo, camisa do time do coração e óculos de camelô na testa. Chegam a pé ou de Monza, ou de carona com mais oito pessoas.

    A Comida

    Rico: Normalmente não comem, ou um pouquinho de cada coisa. Arroz com brócolis ou açafrão, farofa com frutas, filé de cordeiro, javali, avestruz, picanha argentina, muzzarella de búfala, e cada coisa a seu tempo e, pausadamente.

    Pobre: Vinagrete, farofa com muita cebola, maionese, muita asa de frango, lingüiça com pão de alho, costela e a tradicional bola da pá (que eles juram ser mais macia que a picanha!).

    A Bebida

    Rico: Os homens, Chopp da Brahma ou cerveja Heineken geladíssima. As mulheres, ice, tônica Schweppes Citrus, água Perrier, e Coca Zero.

    Pobre: Cerveja Belco ou Kaiser, geladas no tanque de lavar roupa cheio de gelo. Quem fica tonto mais rápido, bebe, intercalado, água da torneira. Muita caipirinha com Caninha da Roça, Baré Cola e Guaraná Simba.

    O Prato

    Rico: Normalmente beliscam uma picanha servida num enorme prato de cerâmica marroquina, taças adequadas a cada tipo de bebida.

    Pobre: Os tradicionais pratinhos de alumínio ou papelão, eles ficam o tempo todo de olho na fila esperando diminuir. As bebidas são servidas em copinhos plásticos de 200ml. (compra-se a quantidade exata do número de convidados) ou servem naqueles de requeijão ou geléia para os convidados mais chegados: familiares, algum cabo da PM, Corpo de Bombeiros, Escrivão da Polícia, etc.(OS VIPS)

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    1. O belo visual da orla...leia-se.
      ML

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  2. Continuação do comentário anterior

    A Música

    Rico: Maria Rita, Paulinho da Viola, música instrumental, Lounge Music e Jazz. Os mais chiques contratam um excelente grupo que toca chorinho, sambas clássicos e mpb, como o CASUARINA, p.ex.

    Pobre: Aquele pagodão de pingar suor, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e Revelação. Só CD’s piratas (4 por 10,00) mídia azul. Não pode faltar o tosco funk carioca , além do axé e do sertanejo. O importante é tirar a galera do chão, depois de umas 2 horas de churrasco, todos já estão dançando, independente das idades ou credos. Também rola uma batucada improvisada com panelas, tampas ou qualquer objeto disponível que emita um som (cantam de Almir Guineto à Alcione). A mulherada tira a sandália, porque não está acostumada, e bota a poeira pra subir com sua toalinha branca encardida de tanto suor e com o conjuntinho de lycra ou jersey florido, e principalmente de modelito periguete.

    O Churrasqueiro

    Rico: Contratado de uma churrascaria famosa. Trabalha com um uniforme impecável e traz consigo toda equipe necessária para atender todos os convidados.

    Pobre: Amigo de um conhecido que adora fazer churrasco, e cada hora um fica um pouquinho pra revezar. Normalmente é um cara barrigudo que fica suando com uma toalhinha na mão (ele usa para enxugar o suor, limpar as mãos e o que mais precisar!). Adora ficar jogando cerveja -vagabunda- na brasa para mostrar fartura!

    O Local

    Rico: Área coberta com piso de granito, tem mesinhas de madeira de demoção, ombrelones e bancos da Indonésia, num lindo jardim florido e com piscina, mas ninguém se anima dar um mergulho.

    Pobre: Normalmente na laje, com sol quente na cabeça ou chuva para acalmar o fogo (então é improvisada uma lona de caminhão como cobertura, mas só para proteger a churrasqueira), cadeiras de plástico só para quem chegar mais cedo (esses cedem o lugar para as grávidas , dos 12 aos 40 anos, que sempre chegam em bandos e quase todos os anos estão parindo...aliás, ter mais de dois filhos é tipicamente de pobre), os demais ficam em pé, esbarrando uns nos outros e pisando no seu pé, mas não tem problema porque a maioria tá descalça. Sem esquecer o tradicional banho de chuveiro, onde os bêbados começam com a brincadeira de querer molhar todo mundo.

    E as mulheres gritando sai daí Giscleyson, vai se machucar!; vem pra cá Uóchitu já tem farofa de linguiça meu filho, vem logo, antes que seus primos venham e terminem tudo; Dayany pega teu irmão e leva lá pra dentro e limpa a boca dele de Biscoito maizena, a boca chega a tá branca nos cantos; Cryslaine limpa o nariz do teu irmão que tá verde de tanto catarro; Cristyan Jeferson tem asa de galinha meu filho... aproveita.

    O Final

    Rico: Em no máximo 4 horas, cada pessoa sai em seu próprio carro. Mas saem em momentos diferentes, para que o dono do churrasco possa fazer os agradecimentos a cada um com atenção.

    Pobre: Dura no mínimo 8 horas e depois que todos já estão bêbados, o dono da casa diz que tem de trabalhar cedo no dia seguinte, mas o pessoal ainda quer fazer vaquinha para comprar mais uma caixa de cerveja CINTRA. Quem não tem carro pede carona ou vai de buzão mesmo(isso sem falar nos que precisam curar o porre, estabacados no sofá ou no tapete, antes de pensar em ir embora!). O pessoal que tem carro, liga o som bem alto (FUNK, AXÉ e pagode claro!) e sai buzinando, sorrindo e gritando: Valeu maluco! Amanhã tô aí pro enterro dos ossos!
    Marcos Lúcio

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    Respostas
    1. madeira de demolição...leia-se...que é chique e ecológica.
      M.L.

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    2. Quá! Quá! Quá!!!! Morri de rir! Seu comentário está dando de MIL no meu post! Mais realista impossível!!!

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  3. Esse churrasqueiro perlo visto é o rei da linguicinha.

    Kid Bengala - SP

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