segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Bolsonaro e o estupro da vida em sociedade

A violência maior não está no homem que faz a política do contra: contra as mulheres, contra os homossexuais, contra os negros, contra a liberdade, e sim no fato de que há quem vote nele!

Em 2014, Jair Bolsonaro foi o deputado mais votado do Rio, com mais de 460 mil votos, e isso é um caso a se pensar. Violência não se limita a assalto a mão armada. A violência silenciosa, que finca as raízes na cabeça das pessoas e conduz ao estupro da vida pública e da vida em sociedade, esta sim é a mais virulenta. Basta olharmos a história do homem, exemplos não faltam.

Era o caso de se pensar até que ponto a democracia deve dar espaço para que ideias de ódio possam ser oficialmente disseminadas, tendo como porta-voz um político eleito pelo povo. Ou não?

sábado, 13 de dezembro de 2014

Buenos Aires musical

O Piazzolla Tango é um teatro na calle Florida que oferece um show diferente dos tradicionais tangões ao estilo "Por una cabeza": as seis duplas de dançarinos bailam ao som de uma orquestra de seis músicos que tocam o mais puro Piazzolla, artista que revolucionou a música argentina ao inovar o tango com as influências do jazz.

Ali, o apreciador da boa música e dança vai curtir um tango que não é para iniciantes. Quem quiser um show típico para turistas deve mesmo procurar outra opção, ou sairá frustrado. O teatro oferece um lauto jantar com excelente comida e vinho de primeira antes do espetáculo, que tem duração aproximada de 1 hora e meia.

Mas Buenos Aires é uma cidade musical, como se sabe, e a música está por toda parte e para todos os públicos... a seguir, uma pequena amostra do que vi, em menos de cinco minutos de caminhada, em duas esquinas vizinhas:

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Sou Racing, mas na vitória do River virei a casaca

A festa do River Plate, ao vencer a Copa Sul-Americana por 2 a 0 ao derrotar o colombiano Atlético Nacional, foi contagiante. As autoridades fecharam a Avenida Corrientes e os torcedores se concentraram no Obelisco da Avenida Nove de Julho. Já era mais de meia-noite e o povo não parava de chegar, com uma alegria digna de Copa do Mundo. Impossível não se deixar levar...

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Arte moderna em Buenos Aires

Descobri um novo museu na cidade, o Museu de Arte Moderna!



Relativamente novo, ainda falta montar um café e uma lojinha, coisas que na minha opinião são fundamentais! Mas o prédio tem o charme de parecer, ele mesmo, uma peça de arte... olha a escada, que ao vivo lembra a espinha de um dinossauro:


Alguns museus valem não só pelas obras que exibem, mas também pela sua arquitetura e conjunto. Um bom exemplo é o Guggenheim de Nova Iorque, em círculos, projetado para facilitar a vida dos visitantes e valorizar as exposições. Não é o caso deste aqui, mas mesmo assim ele é um colírio para os olhos, porque as salas são coloridas e também valorizam as mostras. Olha só:





O museu fica pertinho da Feira de Santelmo, que acontece aos domingos. Marque aí no seu caderninho e faça dois passeios que valem a pena em um dia só.






 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Buenos Aires tropical

No verão, Buenos Aires é totalmente diferente daquela dos dias de frio!

As moças deixam os casacões negros no armário e botam as perninhas de fora, com saias e shorts que a cada ano vêm ficando cada vez mais curtos...


A cidade fica toda colorida...

 

Os bares lotados...

O calor por aqui é de matar, e como não há praia, a gente tem mesmo que apelar para os heróis da temporada: Gota Máxima e Cucurucho:
 
Ou para a bebida gelada de café, verdadeira sobremesa, o Frapuccino (eu prefiro o velho e bom cafezinho):

Os piadistas gostam de dizer que os argentinos pensam que são ingleses, mas o fato é que Buenos Aires embarcou na ideia alemã de espalhar bancos de diferentes tipos pela cidade, então o pedestre nunca se cansa de andar por aí, porque tem sempre onde se sentar...


Outra coisa que me surpreendeu nesta estação é que eles aderiram à ciclovia!

E há por aqui bicicletas muuuuuito estilosas...

Por falar em estilo, as lojas da cidade estão cada vez mais lindas, e redecorar a casa é sempre uma tentação... pena que não cabe muita coisa na mala! Com a moeda argentina baixa e inflacionada, é uma oportunidade para quem pode trocar dólares ou reais em uma casa de câmbio confiável, pois o dólar no paralelo vale 30% a mais que no câmbio oficial. Os argentinos, que antes se ofendiam com um pedido de pechincha, agora aceitam baixar até 30% do preço marcado em vitrine no caso de pagamento à vista. Assim, não vale a pena pagar nada com cartão de crédito, nem mesmo diária de hotel.


Passeando por Palermo e Recoleta, a Ipanema portenha, a gente se pergunta onde é que está a tal da crise argentina. O povo continua lindo, leve e solto... todo mundo com sacolas de boutiques caras na mão... tomando Quilmes com os amigos e batendo aqueeeeele papo legal! Os restaurantes continuam cheios e animados, os carrões desfilam pelas ruas arborizadas e os jardins seguem gramados e floridos...

Aí a gente vai ao outro lado da cidade dar uma volta na tradicional Calle Florida, algo como o Saara carioca, mas melhor, e reduto dos turistas (que creem estar no lugar ideal para as compras) e dos comerciantes de bugingangas. Ali há de tudo um pouco: de Zara a lojas de 1,99... e a música de fundo é algo como:
“Fabrica de cuero!”, “Cambio! Casa de Cambio!”, “Show de tango!”, “Paseos Turísticos!” etc...
Em termos de propaganda no ouvido do turista, pior que a Calle Florida só mesmo um lugar em Pernambuco chamado Porto de Galinhas, onde estive uma vez e mal consegui caminhar por conta do enxame de ambulantes.
Mas em Buenos Aires lembrei da piada que diz que o país está em “recessão”  quando  SEU VIZINHO perde o emprego, e está em “crise” quando VOCÊ perde o emprego. Pois bem: em Palermo e Recoleta parece que o país está em recessão, e não em crise. Os sinais de crise que vi por aqui foram os mendigos pelas ruas do Centro e da Avenida Santa Fé, a alta do dólar paralelo e o sumiço de várias lojas que existiam até ano passado. Três fortes indícios, ainda que a cidade esteja com cafés e restaurantes cheios, que haja turistas por todo lado e as lojas e feiras da cidade continuem vendendo.
Agora vou fazer como eles e tomar uma Quilmes, porque o calor tá "daqueles"! Amanhã tem mais. Buenas!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Alma portenha

Sou mineira da gema, mas o Rio é a cidade onde escolhi viver. No entanto, todas as vezes que volto a Buenos Aires, tenho a sensação de estar voltando para casa. É como se as ruas da cidade, os prédios, os odores, a musicalidade da língua e até as peculiaridades do portenho fossem muito familiares, bem mais até do que o esperado pelo tempo que já passei aqui.

Curiosamente, meu amor por Buenos Aires nasceu bem antes de eu de fato conhecê-la. Eu ainda não havia aprendido a ler quando me apaixonei pelo tango que meus pais ouviam em casa (e dançavam, de modo muito criativo, nas gincanas da nossa escola e nas festas do clube da cidade). Depois vieram os bolerões, que me fizeram amar o idioma. Aos 17 anos me matriculei num curso de espanhol e sonhei estudar na capital portenha, devaneio total àquela época.
Incrivelmente, eis que a vida, muitos anos depois,  acabou me trazendo mesmo a esta cidade tão bonita, onde vivi por tempo suficiente para que o amor brotasse verdadeiro, um amor talvez nascido até em tempos imemoriais...  veja você que aprendi o idioma tão rápido, e o domino tão bem, que costumo dizer que não aprendi, mas me lembrei!
Turistas apaixonados, como eu (que amam viajar) necessitam priorizar a escolha dos destinos, principalmente se, como eu, vivem em países de Terceiro Mundo, não são ricos e já estão na meia-idade. Neste caso, eleger as férias para um regresso significa uma escolha muito especial...

Buenos Aires, para mim, é como passar férias em casa; aquela casa que a gente já teve um dia, mas não tem mais...  que ainda existe nas nossas melhores lembranças, e que guardamos no melhor lugar do coração... aquela casa que colorimos com os lápis da alegria, da aventura, da paixão e da juventude... e para onde, ainda que o tempo voe, podemos voltar de vez em quando, porque ela não ficou estática no passado, mas continua viva e à nossa espera, sob aquele velho céu azul de sempre, em algum lugar deste mundo!




segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Infância consumida

Então a menina considerada a mais linda do mundo, a russa Kristina Pimenova, tem mais de 300 mil seguidores no Instagram e mais de 2 milhões no Facebook... e entre este povo todo, há quem diga que ela tem “pernas sexy”.

Pernas sexy aos 9 anos?

Olha... ela poderia ser bem MAIS bonita se não parecesse uma mulherzinha em miniatura; se fosse a imagem de uma criança, e só. O que de fato ela não parece, com as caras, bocas e poses que faz frente a lente do fotógrafo. Um verdadeiro deleite para os pedófilos de plantão, alguém duvida? Uma piração total destes tempos que vivemos,  nos quais a infância está com os dias contados, e cada vez mais escassos.

Minha amiga conta às risadas que viu a seguinte cena:
Na loja, a menina de não mais que quatro anos fazia birra para a avó. Queria uma bolsa. Ela cruzou os braços e sentenciou, fazendo beicinho e às lágrimas:

-- Vovó, eu não vivo sem esta bolsa! Eu PRECISO desta bolsa!!!
E eu aqui me pergunto: onde é que está a graça?

Tanto Kristina quanto a consumista que queria a bolsa (e ganhou) apontam para o fato de que a infância está mesmo erotizada, marcada pelo consumo e pelo descartável, os signos da atualidade.
A infância já não tem mais valor. Está sendo consumida pela indústria, pelos costumes moderninhos, pela pressa das crianças e até dos pais... as crianças nunca quiseram crescer tão rápido, e os adultos parecem não perceber que estão apoiando esta pressa, e achando bonitinho! Ou, na pior das hipóteses, ganhando dinheiro.

Kristina, a menina "mais bonita do mundo", tem uma legião de seguidores simplesmente por ser... "a menina mais bonita do mundo", com seu cabelo louro e seus olhos azuis, o estereótipo "capa de revista" mais batido do planeta.

Chega a ser de pasmar o quanto as pessoas precisam de um ídolo para seguir, e hoje, com as redes sociais, podem mesmo "segui-lo" por aí, num voyeurismo crônico e instalado que denota vazios profundos e tão antigos...
A indústria já fez das crianças um mercado consumidor valiosíssimo, e como os pais da atualidade, marcados pela culpa da falta de tempo, não sabem impor limites... bingo! Na televisão e no cinema a turma aprende que sexo é a coisa mais banal do mundo... em breve, aliás, o sexo há de chegar às séries de desenho animado, onde a pancadaria já chegou faz tempo. Porque se as modelos estão sexies aos 9 anos de idade...  quem é que vai duvidar?


Em breve estas placas não vão nem existir mais...