quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Vento que venta lá, venta cá

Embora a gente se esqueça, viver é, acima de tudo, um exercício... e de muitas coisas: num sentido mais amplo, um exercício de vontade, de paciência, de esperança, de humildade, de desprendimento... a “matéria” varia de acordo com o aluno, porque cada um tem o seu dever de casa, personalizado, pra fazer.

E às vezes vem aquela vontade danada de deixar pra lá e de jogar as provas para o alto, porque a vigilância permanente cansa, a obrigação de aprender cansa e a necessidade de seguir em frente cansa mais ainda.

Quando bate este cansaço todo, talvez o melhor seja buscar o isolamento, porque o mundo, que é de onde saiu o Facebook, não está nem aí para o que vai no seu coração, e se você não tem alegria pra mostrar, nem pique pra manter a pose... se você estiver uma pilha, ou tão triste que não consiga fingir que está tudo ótimo... dirão que você é um chato, e como se isso fosse um absurdo, como se você tivesse a obrigação de ser a melhor companhia do planeta. E o tempo inteiro.

Mas o ser humano de verdade é o que é, e ainda não inventaram a maquiagem que disfarce isso. Embora sejamos muito diferentes uns dos outros, estamos todos juntos nesta tribo universal, que é a espécie humana, onde o sofrimento faz parte da vida tanto quanto o estômago ou o pulmão: é impossível viver sem; todo mundo tem o seu.

Melhor exercitar o coração, a mente e o espírito pra aprender a viver com isso, porque sempre há de chegar o dia em que o chato que não tem lugar no mundo... seremos nós.

 Será que tem um cantinho pra mim aí em algum lugar?

4 comentários:

  1. Mauro Pires de Amorim.
    Realmente esse mundo de estamparias esteriotipadas de pessoas sempre felizes e com vidas perfeitas, tal qual atores de propaganda televisiva de iogurte ou suco em caixa é um engodo, tal qual são muitos perfis em redes sociais da internet. Claro que minha vida não é um mar de rosas e felicidades, também tenho infortúnios e aborrecimentos, que causam maus momentos e humores, tal qual toda pessoa real tem, mas procuro não transferir isso a quem não tem nada haver, pois isso seria propagar doença e injustiça. Não sou perfeito, mas sei pedir perdão e reconheço meus erros quando percebo que estou descarregando em algum inocente meus problemas.
    Quanto ao fato de haver lugar para você no mundo, tenha absoluta certeza disso. Você está vivendo e passando por uma fase difícil e dolorosa e precisa dar tempo ao tempo para encontrar a cura. Tenha fé e não duvide de que cada dia você cresce mais forte.
    Sinceros desejos de felicidades e boas energias.

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  2. Fernanda,depois de levar inúmeras porradas da vida,eu aprendí uma coisa: Jamais vou fingir o que não sou para agradar a quem quer que seja. Tenho problemas igual a todo mundo,não levo desaforo pra casa,e se alguem achar que sou uma chata,não custa nada se afastar... Sabe aquele dito popular,o incomodado que se mude? Pois é. Bjs.

    Monica.

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  3. QueriDannemann...o chato é sempre o outro , mas como somos, também, o outro, seremos, mais cedo ou tarde, os chatos da hora (há raríssimas exceções!?). A nossa propria finitude, tanto quanto nossa transitoriedade, lembram-nos de que não dá para levar tão a sério a vida, (basta termos responsabilidade)afinal, dela ninguém sai com vida. As dores, de intensidades diferentes, de cada um,(delas também ninguém escapa completamente) podem ser professoras nesta escola existencial... para aprendermos que, tanto quanto o vento que venta lá venta cá, o rio que leva, é o mesmo que pode, desde que consintamos, trazer novas e limpas águas, e não apenas os mesmos seixos depositados no seu fundo.Melhor ainda, se aprendermos_ para chegar à nascente_ a nadar contra a corrente.Portanto, somente após o luto vivenciado, jamais negado, é que a sensação de vazio ou ausência pode e deve, também _tudo a seu tempo_ser transformada em possíveis e necessários re-nascimentos (como fênix) afetivos, ou seja, sair do luto para o reencontro com a paixão pela vida.Deixamos, então, a dedicação quase exclusiva pela falta ou perda, para concentrarmos no que ainda de bom possuímos_principalmente nossos afetos ainda encarnados_ além de ficarmos mais atentos ou seletivos com relação ao tempo que ainda nos resta.Somos como remédios: temos, todos, prazo de validade.Recuperando o ENTUSIASMO , volta a fundamental sensação de que Deus habita em nós, ou seja, sentimos, em plenitude, nossa pulsação de alma (etimologicamente é este o real significado da palavra= ter Deus em si).
    Como gosto de variações, inclusive os dias, as coisas e as pessoas não são iguais,interrompo as mal traçadas linhas, para fazer minhas, as palavras do João A. Macedo , sobre a essência da vida: A IMPERMANÊNCIA, tentando compartilhar e solidarizar.

    "A experiência de morte e separação dá-nos a percepção de impermanência, realidade que evitamos encarar. As estações mudam, as pessoas mudam, a vida muda. O nordeste tem regiões secas, que hoje são caatingas, sertões que outrora foram mar. Existe uma tendência de não aceitarmos e de resistir ao princípio (imutável) da impermanência.
    Precisamos aprender que, quanto mais apegados nós somos a nossos bens materiais e relacionamentos no mundo, quanto mais importantes e necessários pensamos que somos , mais dor se vive quando chega o fim terreno.
    O conhecimento do conceito de impermanência deve ser encarado positivamente de um modo diferente e compreendido que, por pior as coisas possam parecer: adversas e prejudiciais naquele momento, as circunstâncias que geraram o sentimento de infelicidade, não podem durar muito: vida que segue.
    É de se perguntar: Se tudo é impermanente, se nada dura para sempre, como pode alguém ser feliz? A verdade é que não podemos nos apegar às coisas, mas admitir e aceitar as situações irreversiveis.
    (...)
    Se tivermos a sabedoria, a consciência de colocar nas nossas vidas o conceito de impermanência, e a maturidade de saber que tudo é impermanente, vamos ver que nossas experiências serão mais ricas, nossos relacionamentos mais sinceros, e que teremos maior apreciação/atenção por tudo aquilo de que já desfrutamos".
    Sinceramente, é a única ou melhor forma de que tenho notícia ou experiência, para ser feliz: somente com o máximo de realismo possível, saúde e a proteção de Deus.
    Abraço caloroso e forte.

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  4. Desculpe, queriDannemann, esqueci de comentar que o filme _ um conto chinês_ que tive o prazer ou o privilégio de assisti-lo, antes mesmo da sua sensatíssima sugestão, é mais uma prova de que, se temos bom coração (uma bemaventurança) , até o impossível _no melhor sentido_acontece. Certamente tudo o que está acontecendo consigo, trará outras ou diferentes formas de amor (além da cara-metade kkk), para celebrar novos encontros, novas amizades e novas experiências de uma vida nova/diversa, com a ajuda luxuosa do TODOPODEROSO e do papai que está no ceu, né não?
    AABRAÇÃO.

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