Mas os entrevistados foram ouvidos onde? Na
praia de Ipanema? Só se for ... ou quem sabe em qualquer um dos cartões-postais que embelezam a matéria. Não há dúvidas de que o Rio sempre sai bem na foto... exceto naquelas que vão além do mito de "Cidade Maravilhosa" e que mostram a realidade do dia a dia deste povo tão feliz que é o carioca, segundo a tal pesquisa.
Duvido que tenham ouvido o depoimento de alguém que
enfrenta o engarrafamento que cansou de ficar só em São Paulo e já virou lei por aqui. É só botar o pezinho pra
fora da portaria do prédio e pronto: você está engarrafado. Já pensou levar, em média, duas horas entre sua casa e o trabalho? Na última sexta-feira, meu marido bateu o recorde e levou três horas para chegar em casa. É que ele não anda de helicóptero. Quem mandou não entrar para a vida pública?
Então o cantor Zeca
Pagodinho virou símbolo da nossa alegria... um símbolo midiático escolhido a
dedo para vender cerveja, vender show na praia, vender Domingão do Faustão. A minha alegria, pelo menos, não tem nada a ver com o Pagodinho. E a sua?
Segundo a pesquisa, a cidade é feliz por causa do próprio carioca (que, pelo visto, se acha o tal), do carnaval e do samba, das praias e do calor (mas só quem tem tempo e grana pra curtir a praia e pra comprar ar-refrigerado para casa e para o carro), das belezas naturais, do futebol e do Maracanã (que, quando funciona, tem ingresso caro), do alto astral, da malandragem (sem comentários...), da sensualidade, dos bares e dos shows (muitos na Praia de Copa, tirando a paz de quem paga impostos caríssimos para viver ali, mas quem é de longe adora, pelo visto).
Segundo a pesquisa, a cidade é feliz por causa do próprio carioca (que, pelo visto, se acha o tal), do carnaval e do samba, das praias e do calor (mas só quem tem tempo e grana pra curtir a praia e pra comprar ar-refrigerado para casa e para o carro), das belezas naturais, do futebol e do Maracanã (que, quando funciona, tem ingresso caro), do alto astral, da malandragem (sem comentários...), da sensualidade, dos bares e dos shows (muitos na Praia de Copa, tirando a paz de quem paga impostos caríssimos para viver ali, mas quem é de longe adora, pelo visto).
Estes critérios me parecem, no mínimo, tendenciosos.
Será que foram ouvir alguém que tentasse atendimento
em hospital público? Ou alguém que não pudesse pagar o ingresso do Maracanã? Ou que se espremesse, de pé, no transporte coletivo que também é caro? Ou que procurasse uma vaga para estacionar o carro? Ou que não fosse a favor das obras do metrô em Ipanema ou da Copa de 2014 e da Olimpíada em de 2016, e preferisse que o dinheiro investido para transformar o Rio dem "Cidade Olímpica" fosse aplicado na saúde pública? Na tal
matéria, um taxista diz que a cidade está mais segura. Onde, se a gente é
assaltado a pé ou de carro, a qualquer hora e em qualquer lugar?
Gente, e o que dizer do incêndio no Leblon, área
nobre da cidade e com o metro quadrado entre os mais caros do Rio de Janeiro, se
não for o MAIS caro, e onde, segundo os moradores da área, não havia água nos
hidrantes? E os bombeiros, que segundo as mesmas testemunhas, levaram mais de
meia hora para chegar ao local e já encontraram o incêndio apagado por obra da
natureza?
Bombeiros e CEDAE se defendem dizendo que não, não
foi nada disso... mas quem é que paga a
conta desta tragédia? As vítimas que morreram ao tentar se salvar pulando da
janela, e que pagaram com a vida.
Aí, por uma ironia digna de filme B, a Vieira Souto,
bem pertinho dali, amanhece alagada por causa de um rompimento de tubulação da
CEDAE! Seria cômico se não fosse trágico.
Este é o nosso Rio de Janeiro... e eu só queria perguntar à turma dos felizes e
contentes:
-- Tá rindo de quê?
























